Nos primeiros cinco dias deste mês, foram registrados no Distrito Federal 180,7 milímetros (mm) de chuva para uma média histórica de 123,8 mm. Mesmo já tendo ultrapassado a média mensal, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) assegura que a atual situação não é um fenômeno raro, pois reflete ocorrências típicas de final do verão. Comuns também estão se tornando os estragos ocasionados pelas chuvas em vários pontos do Distrito Federal. Além da queda de árvores e acidentes provocados pelas precipitações, o brasiliense enfrenta, cada dia mais, problemas com ruas, casas e lojas alagadas, asfalto destruído e buracos que não param de aumentar.
Para tentar resolver boa parte dos problemas, o governo tem um projeto finalizado que custará, até a implantação da obra, cerca de US$ 200 milhões aos cofres públicos. Trata-se do Programa de Gestão de Águas e Drenagem Urbana do DF, conhecido popularmente como Águas do DF, que promete, além de por fim às inundações das tesourinhas, ampliar a capacidade da rede pluvial. Com a ação, serão construídos reservatórios onde a água será tratada antes de ser despejada no Lago Paranoá.
O problema é que o projeto ainda não saiu do papel. Segundo a Secretaria de Obras do Distrito Federal, atualmente, o projeto está sob análise do Tribunal de Contas do DF. “Nunca trabalhamos tanto como agora. Temos uma licitação que já está na rua, agora só estamos aguardando a liberação”, informa o secretário de Obras, Jaime Divino Alarcão. “Vamos reestruturar e recuperar o sistema de águas pluviais em várias áreas do Plano Piloto, como nos Eixos 1 e 2 – que pega todas as quadras 401, 402 a 901, 902 da Asa Norte”, reitera. O Águas do DF também atingirá Taguatinga e englobará áreas degradadas do território.
O Laboratório de Climatologia Geográfica da Universidade de Brasília (UnB) tem realizado pesquisas há mais de dois anos relacionadas aos impactos das chuvas no DF, onde foram mapeados os pontos mais vulneráveis a alagamentos. Entre eles estão áreas em Vicente Pires e na Estrutural, além de tesourinhas na Asa Norte e na Asa Sul.
Urbanização desordenada
A geógrafa Ercília Torres Steinke, coordenadora do Laboratório, afirma que o problema está, entre outras coisas, na urbanização desordenada que reduziu o número de locais por onde a água escoa. “O concreto impermeabiliza o solo, o que gera os alagamentos. No mais, a cidade não está preparada para isso”, informa. “Desde que começamos esse trabalho, todo ano aparecem novos pontos, mas os que já detectamos também não desaparecem. Faltam políticas públicas, ações antes das chuvas e uma intervenção definitiva”, conclui.
O meteorologista da Coordenação-Geral de Desenvolvimento e Pesquisa do Inmet, Mozar de Araújo Salvador, afirma que já ocorreram vários registros de chuvas acumuladas em abril bem acima da média, sendo o maior deles, curiosamente, no ano passado com 375,9 mm. No início deste mês, o que chamou a atenção foram as tempestades, pois o índice referente ao acúmulo de chuva em 24 horas foi bastante significativo. Em todo o dia 2 foi registrado 74,2 mm de água, enquanto no dia 5 o número foi um pouco menor, chegando a 55,9 mm.
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