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Brasília

Chuvas: prejuízos em vários pontos da capital

Arquivo Geral

04/04/2014 7h03

As chuvas dos primeiros dias de abril causaram  transtornos pelo Distrito Federal. Ruas alagadas e desabamentos são alguns exemplos. E vem mais chuva por aí.  De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o tempo só deve abrir no domingo.  Segundo o Climatempo,  em março,   choveu  69% a mais do que o esperado.  

Após uma semana de chuvas intensas, o teto e a marquise do Mercado Leste, na Área Especial 1 do Gama, não resistiram e desabaram por volta das 4h45 de ontem. Famílias moram no segundo andar do prédio, mas ninguém ficou ferido. A construção tem cerca de 50 anos e é mais antiga do que o próprio Gama. De acordo com os bombeiros, a falta de um reforço na laje  após tantos anos e instalações indevidas de ar-condicionado podem ter afetado a estrutura e ajudado a ocasionar o desabamento. 

Interdição

Homens do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil  estiveram no local, auxiliados por um caminhão equipado com um guindaste. Eles isolaram a área e   vistoriaram o interior do prédio. A reabertura das lojas só deve ser autorizada após a conclusão de um laudo sobre as condições estruturais do espaço, que deve sair nos próximos dias. Segundo os agentes, uma drogaria, na esquina do centro comercial, parece ter sido uma das mais afetadas. A parede da frente da loja está condenada e  pode ceder a qualquer momento. 

Arnaldo César do Santos,   34 anos, é funcionário de um açougue   atingido.  Ele divide um apartamento no segundo andar com um amigo e estava em casa na hora do desabamento. “Ouvi um estrondo e achei que estavam tentando assaltar uma das lojas. Quando  olhei pela janela, vi que as marquises estavam desabando em sequência, como em efeito dominó. Foi só o tempo de chamar meu colega e descermos. A escada quase não dava para passar pelos escombros, mas conseguimos sair”, conta.

Rodrigo Soares Oliveira,   20 anos, é açougueiro na mesma loja e também mora no prédio. “Dormi fora de casa, e quando cheguei   pela manhã levei o maior susto.  Estou esperando a liberação da perícia para buscar umas coisas”.   

Alzina Nunes, moradora de uma casa em frente ao supermercado, também pensou em assalto quando ouviu o barulho. “Estou assustada até agora”, contou. 

Possível causa: falta de manutenção

O coronel Sérgio Bezerra, subsecretário de Operações da Defesa Civil, disse que, ao que tudo indica, o desabamento foi causado por sobrepeso e falta de manutenção. “Instalações indevidas de aparelhos de ar-condicionado podem ter contribuído”, explicou. Por volta das 10h30, proprietários das lojas foram autorizados a entrar rapidamente nos estabelecimentos para retirar   mercadorias. “Não será necessário cortar a energia, mas ainda há risco   de desabamento. Com a chuva, a situação piora, por isso a retirada do material precisa ser rápida”, advertiu.

Vando Batista,   53 anos, é dono de uma joalheria em funcionamento no mercado há mais de 30 anos. Ele foi avisado pelos vizinhos sobre o incidente. “Agora é aguardar a avaliação  da Defesa Civil para contabilizar os prejuízos e saber quando poderemos voltar ao trabalho. Faz muito tempo que não tem manutenção ou reforma aqui”, diz.

O síndico do edifício, Osmo Roberto, confirmou que não ocorrem reformas ou  manutenção no prédio há muito tempo, mas disse que não havia sinais de problemas. “Apesar de o prédio ser antigo, não apresentava rachaduras ou qualquer   sinal de que a estrutura estivesse prejudicada. Acredito que as fortes chuvas dos últimos dias ajudaram”. 

Só por volta do meio-dia,  o prédio de trás, que não foi afetado, foi liberado para funcionamento. 

Água invade residências

No Setor Sol Nascente, em Ceilândia, aproximadamente 15 casas foram afetadas pela enxurrada. “Um grande volume de água desceu da Guariroba e entrou nas casas. Não há desabrigados, mas os danos materiais foram significativos”, diz o subsecretário da Defesa Civil, Coronel Sérgio Bezerra.

A secretaria informou que houve o isolamento de parte de uma residência e de um muro em outra casa. A Administração Regional de Ceilândia ficou encarregada de melhorar o sistema de drenagem daquela área. A reportagem do Jornal de Brasília não conseguiu falar com o administrador até o fechamento desta edição. 

Obras

No trânsito a chuva também foi motivo de cuidado redobrado. Um dos viadutos em obras pelo Expresso DF, próximo ao Aeroporto de Brasília, alagou na noite de quarta-feira. Por volta das 21h um dos engenheiros do DER passou pelo local e viu que havia desmoronado um aterro que estava sendo feito para o encabeçamento do entrocamento da EPDB e a Epia. “A terra desceu, espalhando pela via, impedindo a passagem de veículos. O consórcio se mobilizou imediatamente e fez a limpeza do local ao longo da noite. Hoje (ontem) cedo já estava resolvido”, narra o diretor geral do DER, Fauzi Nacfur Júnior. 

O departamento informa que o desabamento não irá acontecer de novo, pois o aterro será concluído novamente, desta vez, com a drenagem necessária. Quando a reportagem passou pelo local, ontem pela manhã, uma pequena parcela da via, que ocupava uma faixa, ainda estava alagada. Os trabalhadores estavam criando uma vala para que a água escorresse para longe da pista. 

Restaurante

Os frequentadores do Restaurante Comunitário de Santa Maria também foram surpreendidos por um alagamento no local. A forte chuva  foi capaz de inundar o refeitório do restaurante e irritou todos que estavam por lá. Um funcionário do restaurante disse estar acostumado com o problema.

 

 

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