A chuva transformou a segunda-feira de vários brasilienses em um dia ainda pior. Além do término do fim de semana, prolongado para alguns devido ao ponto facultativo para servidores públicos na sexta-feira, vários pontos de alagamento e ocorrências de problemas relacionados ao tempo ruim no Distrito Federal surgiram a partir desde as 16h (acompanhe aqui a matéria do portal ClicaBrasilia).
Uma das regiões mais atingidas é a Asa Norte, em que carros estariam ilhados em tesourinhas alagadas e o canteiro central da via L2 estaria transbordando por conta do grande volume de água. A situação, infelizmente corriqueira para o morador em época de chuvas, já deveria ter sido resolvida, segundo determinação do Ministério Público do DF (MPDFT).
Em outubro, uma ação civil pública foi movida contra a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), a Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap) e contra o Governo do Distrito Federal para a realização de obras estruturais e a adequação da rede de drenagem pluvial urbana da Asa Norte em caráter de urgência. Segundo decisão da 3ª e 5ª Promotorias de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística (Prourb) a finalidade era diminuir e evitar novos alagamentos, empoçamentos, inundações nas tesourinhas, nas vias de circulação e em áreas verdes, além do assoreamento do Lago Paranoá. A ação estaria parada, mas não há confirmação oficial.
Segundo as promotoras de Justiça Yara Maciel Camelo, Luciana Medeiros Costa, Marisa Isar dos Santos e Maria Elda Fernandes Melo, com o aumento da impermeabilização do solo – decorrente de novas expansões urbanas –, o problema durante as chuvas se agravou, em especial, na Asa Norte, e afeta a qualidade de vida dos moradores da região e daqueles que ali transitam. “O escoamento precário causa alterações também no meio ambiente natural, com o assoreamento do Lago Paranoá e a consequente redução do seu volume e espelho d’água”, argumentam na ação.
O diretor de urbanização da Novacap, Erinaldo Pereira da Silva Sales, não foi encontrado para comentar a situação até o fechamento desta matéria.
Retrospecto negativo
Os alagamentos na Asa Norte, no período das chuvas, são problema antigo e que só piora com o aumento da área impermeabilizada decorrente da pavimentação de novas áreas urbanas e edificações, principalmente nos últimos anos, com a implantação do Setor Noroeste. Em 2011, o campus da Universidade de Brasília (UnB) e as quadras adjacentes foram atingidas por grande volume de água pluvial, provocando a paralisação das aulas, bem como a destruição de grande parte de acervo científico do Instituto de Ciências. Na quadra 911, da SGAN, houve a queda de um muro e a inundação do condomínio. Vários pontos foram alagados na ligação da avenida W3 Norte/Epia.