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Chegada da seca agrava problemas respiratórios

Ressecamento das vias aéreas, secreção no nariz e tosse são alguns dos sintomas das doenças características da época

Por Mayra Dias 14/06/2022 6h23
Tempo seco em Brasília. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A poucos dias da chegada do inverno, o Distrito Federal já vem registrando temperaturas baixas. Apesar de não termos entrado, oficialmente, na temporada, o tempo seco e frio é propício para a transmissão de doenças propagadas pelo ar por meio de partículas de secreção. Com a secura, podem surgir problemas de saúde, como narinas e olhos ressecados, cansaço, dor de cabeça e alergias respiratórias. Há ainda aquelas doenças que são transmitidas por bactérias, fungos e vírus, que também ficam em objetos e superfícies.

Devido às baixas temperaturas, é natural que o corpo perca a imunidade e assim, ficar mais suscetível a desenvolver doenças respiratórias como gripe, resfriado, pneumonias, bronquites, asmas, dentre outras. De acordo com o Ministério da Saúde, a baixa umidade requer cuidados especiais, que valem principalmente para as pessoas que possuem sintomas de doenças respiratórias e condições ligadas ao coração. Além disso, questões como idade e comorbidade são fatores que podem contribuir para o agravamento de doenças respiratórias.

Dentre os problemas mais comuns advindos dessa época, de acordo com o doutor Jefferson Pitelli, otorrinolaringologista do Hospital Anchieta de Brasília, estão as sinusites, rinites, infecções de garganta, sangramento nasal, resfriados e gripes. Os sintomas, por sua vez, são espirros, tosse, dor de garganta, indisposições, obstrução nasal, coriza, secreção nasal, etc.

A primeira questão é controlar as doenças crônicas e prestar atenção às situações, principalmente nos dias muito quentes, para beber maior quantidade de água. Desta forma, é necessário que pessoas com condições crônicas estejam em dia com seus tratamentos para, assim, evitar que a baixa umidade no ar possa agravar seus quadros. De acordo com o otorrinolaringologista, um dos mecanismos de defesa do corpo para as vias aéreas é o muco. Com o ar seco, ele também seca, e isso piora a obstrução. Com o muco que não está hidratado, você começa a respirar um ar mais seco e isso pode desencadear uma resposta em quem já tem doenças respiratórias.

No caso das doenças respiratórias transmissíveis, que inclui a covid-19, “nós, profissionais, sempre recomendamos a prevenção e com isso, uso de máscaras, higienizar as mãos, evitar aglomerações e ambientes fechados”, pondera a doutora Marta Guidacci, especialista em alergia e imunologia e coordenadora substituta da Alergia na Secretaria de Saúde. “Já para quem sofre das alergias respiratórias como rinite e asma, manter o tratamento preventivo e redobrar o controle ambiental são essenciais para evitar crises e piora das suas doenças crônicas”, acrescentou Guidacci.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a umidade do ar ideal compreende a faixa entre 50 e 80%. Entretanto, em algumas épocas do ano, como no inverno, ela tende a cair, inclusive, abaixo de 30%. Segundo o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Mamedes Luiz Melo, a previsão para essa semana é de chuvas em áreas isoladas e umidade entre 90 e 35%. “Na quarta feira a nebulosidade tende a diminuir e na quinta e sexta-feira o que vai predominar é um céu com poucas nuvens e, devido ao resfriamento noturno poderemos ter temperaturas mais baixas, em torno de uns 11°C”, acrescentou.

Como os sintomas das infecções respiratórias são bem similares, o paciente deve ficar atento. Caso eles persistam por mais de cinco dias, principalmente, a febre e tosse, é recomendada a procura pelo serviço de saúde mais próximo. A automedicação pode mascarar sintomas, contribuir para o agravamento da doença e dificultar o diagnóstico, que deve ser feito por um médico. Com a queda da umidade, além do ar poluído, as vias aéreas ficam mais ressecadas, o que favorece a intensificação de problemas respiratórios.

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Semelhança com a Covid

Em um momento como o atual, onde a covid-19 ainda persiste, os cuidados precisam ser redobrados. Os sintomas da doença causada pelo coronavírus (Sars-CoV-2) são similares aos da gripe comum e asma. Segundo Marta Guidacci, a proibição de aglomeração, uso obrigatório de máscaras e a conscientização da importância de higienização das mãos são medidas imprescindíveis para ajudar no controle da covid-19 e das demais doenças que também são transmissíveis nessa época do ano. Ambas possuem semelhanças na forma de contágio, pois são transmitidas a partir de gotículas contaminadas ao falar, tossir, espirrar, além de existir a possibilidade de transmissão através de superfícies contaminadas e levar as mãos à face.

Dicas para enfrentar a época

Como explica Jefferson Pitelli, a principal forma de tentar evitar ou tratar esses problemas é evitar a exposição a esses agentes, “usando máscaras de proteção facial, mantendo as mucosas sempre úmidas, beber bastante líquido e evitar aglomerações e ambientes fechados sem ventilação, assim como a exposição excessiva ao sol”, pondera o especialista.

O tratamento, como ele expõe, é a retirada do agente causador e, na maioria dos casos, a utilização de sintomáticos, medicações que aliviam os sintomas. É o caso, por exemplo, do soro fisiológico. “Todas as doenças respiratórias das vias aéreas superiores podem evoluir para complicações. Dentre as principais estão as pneumonias e as bronquites. Essas são as mais graves”, esclarece o doutor.

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