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Brasília

Chance de cura está mais próxima com transplante de medula

Arquivo Geral

07/02/2015 8h30

No dia 10 de outubro do ano passado, Fabiana Ikeda de Oliveira, de 37 anos, foi diagnosticada com Leucemia Linfóide Aguda (LLA) e, desde então, deu início a maior batalha da sua vida: encontrar um doador de medula óssea 100% compatível com ela. Como se não bastasse a gravidade da doença, a servidora pública tem descendência japonesa e, portanto, precisaria de alguém com as mesmas características. Entretanto, após quase quatro meses de total angústia, Fabiana não poderia imaginar que a chance da cura viria de um doador tão próximo: o próprio filho.

 O transplante da medula de Gabriel, 15 anos, que ainda não tem data marcada, no entanto, só foi possível agora. Isso porque o caso de saúde da servidora teve uma recente reviravolta. Na última quarta-feira, os médicos constataram que Fabiana conseguiu alcançar 0% do câncer na medula, o que muda todo o cenário. 

“Quando o paciente chega a 0,1% da doença na medula, o doador 100% compatível não é a única opção de tratamento, ou seja, outros doadores também podem fazer o transplante, desde que sejam parentes de 1º grau, como irmão, filho, pai e mãe, nessa ordem de prioridade, chamado de transplante haploidêntico. Como a Fabiana alcançou um índice ainda melhor, 0%, nosso filho é que vai doar a medula”, afirma o marido, o assessor Daniel Gonçalves de Oliveira, 39.

 O irmão da servidora, que seria a pessoa mais indicada para doar, pois possui DNA da mãe e do pai de Fabiana, assim como ela, não foi escolhido, pois ele apresenta 25% de compatibilidade, enquanto  Gabriel é 50% idêntico à mãe. 

 Diante disso, para alcançar o resultado, Fabiana teve de passar por quatro séries de quimioterapia assim que descobriu a enfermidade, quando apresentava 90% de câncer no corpo. Na primeira, que durou um mês e meio, ela conseguiu baixar para 30%, o que é considerado um péssimo resultado, tendo em vista que os pacientes, normalmente, diminuem para 5% na primeira sessão.

Reviravolta

 Poucos dias depois, a segunda série foi concluída e o resultado chegou a 8%, o que ainda não liberava Fabiana para o transplante. Já na terceira, em dezembro, ela alcançou 0,33%, porém, o doador 100% compatível não apareceu. Foi quando ela decidiu realizar a quarta série e conseguiu diminuir a doença para 0%, possibilitando o transplante de um parente de 1º grau.  

Verdadeira corrida contra o tempo
 
Daniel ressalta que o transplante haploidêntico diminui  as chances de a doença voltar e o resultado é tão bom quanto o transplante de medula de um doador 100% compatível. “Nesses casos, não basta apenas encontrar o doador, é preciso ter tempo para prepará-lo para o procedimento. A nossa corrida é contra o tempo e até essa pessoa estar disponível, com todas as condições de saúde necessárias para doar a medula, vai demorar muito. “, afirma. 
 
 Nesse momento, acrescenta o marido de Fabiana, a expectativa é para a liberação da radioterapia pelo plano de saúde, que não entra em contato com a família há uma semana. Isso é necessário, pois a paciente precisa eliminar 100% da medula óssea doente antes de receber a nova. 
 
“Logo após a radioterapia,   Fabiana vai receber a medula do Gabriel. Porém, o prazo para que a nova medula comece a fazer efeito é de 15 dias, o que nos preocupa muito, já que nesse período ela estará completamente vulnerável a infecções e sem defesa. Após esses dias, ainda teremos que conviver com o risco de rejeição, mas estamos muito confiantes”, completa.
 
 Ele acrescenta que, agora, o maior sonho da família é voltar para casa: “Nascemos em São Paulo e estamos fazendo   o tratamento aqui, mas  somos brasilienses de coração. Nosso maior desejo   é voltar para casa, com toda a família unida e sadia”.

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