Jéssica Antunes
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A equipe de transição fez uma visita técnica ao Centro Administrativo do Distrito Federal (Centrad), em Taguatinga, na manhã desta terça-feira (27). Com o objetivo de conhecer a infraestrutura do prédio fechado há quatro anos, representantes do alto escalão da futura gestão Ibaneis Rocha (MDB) se limitaram a dizer que precisam enfrentar o problema, mas depende de diversos estudos para determinar a ocupação.
“As questões jurídicas e legais não fazem com que o problema deixe de existir. Se precisar de um novo contrato, vamos fazer. É compromisso de governo dar solução ao prédio e é preciso conhecê-lo para que possamos deliberar sobre o tema”, disparou André Clemente. Coordenador da Transição e futuro secretário de Fazenda, o gestor elogiou o complexo que, recheado de dívidas, foi embargado pela Justiça.
O espaço foi inaugurado no último dia do governo de Agnelo Queiroz (PT), em 2014, e jamais foi utilizado. Construído por meio de uma parceria público-privada, a obra custou cerca de R$ 1 bilhão. Fechado há quatro anos, a estrutura física do complexo erguido em terreno da Terracap já apresenta sinais do tempo. Mato que cresce entre pedras, infiltração no telhado e rachaduras podem ser vistas pela área. Em alguns pontos, a obra está longe de finalização. A equipe de transição estima que cerca de 4% ainda precisa ser concluída.

Jéssica Antunes/Jornal de Brasília
“O intuito da visita é justamente ver como está a obra, que tem uma edificação fantástica e em boas condições de manutenção. Precisa de intervenções pontuais, mas é coisa de obra fechada há muito tempo. O que buscamos é arrumar uma solução para problemas jurídicos e físicos. Acredito que agora é fazer encontro de contas. Alguns investimentos são necessários”, analisou o futuro secretário de Obras, Izidio Santos.
Além da infraestrutura que precisa ser finalizada, é preciso comprar todo o mobiliário, trabalhar as vias de acesso e fechar contas de locação de vigilância e limpeza para administração pública.
Publicamente, Ibaneis manifestou preferência do futuro governo pela compra do Centrad, que receberia de 60% a 70% dos órgãos centrais do Executivo local para o setor, além da Universidade Pública Distrital, um dos projetos do emedebista para a educação. Coordenador da transição, André Clemente deixa as opções em aberto.

Foto: Jéssica Antunes/Jornal de Brasília
“Há várias possibilidades de ocupação. O governo pode ocupar ou fazer uso misto com possibilidade de trazer atividade econômica. Tudo tem que ser estudado. É um prédio moderno, em área pública. Essa questão precisa ser enfrentada e resolvida. O fechamento da conta vai levar sempre o interesse público em conta”, disse.
Neste mês, Ibaneis se encontrou com o presidente da Caixa Econômica Federal e discutiu as dívidas do Centrad, que somam R$ 1,14 bilhão. São R$ 970 milhões com a instituição e outros R$ 170 milhões com o Santander. Segundo a equipe de Rodrigo Rollemberg (PSB), além do aluguel de R$ 264 milhões por ano durante duas décadas, a transferência de servidores para o Centrad vai exigir um investimento extra de R$ 235 milhões com itens como mobiliário, ativos de rede e telefonia.
A Polícia Federal pediu ao GDF o compartilhamento de informações sobre o processo licitatório do imóvel depois de surgirem denúncias de executivos da empreiteira Odebrecht em delações premiadas e acordo de leniência da Operação Lava Jato. O imbróglio envolvendo o complexo vem desde a inauguração, quando a Justiça suspendeu o habite-se concedido nos últimos dias do mandato de Agnelo.
Além dos futuros secretários de Fazenda e de Obras, estiveram no Centrad o próximo diretor do DER, Fauzi Nacfur, representantes da Novacap, da Terracap, da Caixa Econômica Federal, e da concessionária que administra o complexo.
- Foto: Jéssica Antunes/Jornal de Brasília
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