Segundo a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Samambaia e Ceilândia são as regiões administrativas com maior concentração de lixo em terrenos baldios.
A Administração Regional de Ceilândia contabiliza que haja 150 pontos de descarte irregulares na região. Segundo a assessoria, foram instaladas mais de 120 placas de proibição, pra iniciar o processo de conscientização dos moradores.
Segundo a administração, são recolhidos diariamente cerca de 60 caminhões de entulho na região, que correspondem a duas mil toneladas por semana, em média.
Para contornar a situação, a administração trabalha para regularizar os carroceiros da cidade. Até o fim do mês, as carroças serão emplacadas e os condutores, habilitados. A partir de outubro, o condutor que for flagrado jogando lixo em área imprópria será notificado, e terá a carroça apreendida.
Segundo a administração, logo Ceilândia contará com áreas fixas para servirem de transbordo – locais para descarte de entulhos, que serão posteriormente recolhidos pela administração para despejo na Estrutural.
A administração já conta com a Operação Cata Entulho. Para ter acesso, basta ligar para (61) 3471-9853 e solicitar a coleta gratuita.
O chefe do gabinete da Administração Regional de Samambaia, Juscelino França, informou que a partir de amanhã pretende intensificar as ações de recolhimento dos entulhos na cidade. “De setembro até dezembro, faremos campanhas para conscientizar os moradores, porque estamos prestes a entrar na fase de chuvas no DF, o que ocasiona entupimentos (de bueiros)”, destaca.
A administração também conta com o Cata Entulho, em que as pessoas agendam com o órgão para a retirada do material que não usa mais. “Alguns ainda desconhecem, mas vamos até a casa do cidadão, basta marcar o dia”, informa França. Os interessados podem entrar em contato pelos telefones: (61) 3359-9325 ou 3359-9354.
Falta consciência
A dona de casa Zilma Lopes, 52 anos, diz que situação é “nojenta”. “Sempre nestas áreas livres, o lixo fica espalhado e o pior é que atrai animais. Sem falar que na época de chuvas, vai se tornar ainda pior, porque todas as bocas de lobo ficam entupidas”, observa.
Zilma reconhece, no entanto, que falta conscientização aos moradores. “Acho que toda a população deveria pensar nesta questão, principalmente, porque mesmo que venha alguém para recolher, dias depois as pessoas tornam a depositar lixo”, conta.
O cozinheiro Isaías Vieira, 40 anos, mora há um ano na Quadra 431 de Samambaia, em frente a um amontoado de lixo. “Há um mês, a administração de Samambaia veio e recolheu, mas estou desistindo porque eles retiram, mas passam alguns dias e volta tudo de novo. A situação fica insustentável quando o lixo transborda na pista, sem falar no mau cheiro, pois até animais em decomposição jogam aí”, relata. “Falta conscientização de alguns moradores”, reclama Isaías.
Quem concorda é o serralheiro Raimundo Nonato, 40 anos. “Uma vez cheguei a fazer uma placa pedindo para que as pessoas não jogassem lixo, mas no mesmo dia quebraram. Sou comerciante e isto prejudica as vendas. Outro dia, entrou na minha casa uma ratazana vinda do lixão”, lamenta.