Há quase 52 anos, a Central de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa-DF) reúne milhares de feirantes e consumidores todos os sábados. Localizado no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), o comércio é um dos mais tradicionais entre as feiras da capital, com grande variedade de produtos vindos do campo – em boa parte de produções de agricultores familiares locais. Frequentar o local é também uma oportunidade de negociar preços diretamente com o produtor.
Raphael Batista, 36 anos, trabalha na Ceasa há mais de 20 anos e aprendeu com os pais a cuidar dos negócios. A empresa Top Frutas foi passada para ele para que continuasse o comércio da família no local juntamente com a esposa. Inicialmente, comercializavam frutas tropicais, como banana, mamão, e abacaxi, mas atualmente os produtos são variados.

“Para mim começou como uma brincadeira, mas hoje faz parte da nossa vida. Gosto do que faço. Tudo o que vendemos aqui também consumimos em casa. E se não for bom para mim, eu não venderia. A qualidade é diferenciada mesmo”, destacou. Boa parte dos produtos vendidos vem do entorno do DF, mas também há mercadorias de São Paulo e da região Sul do país.
Ele faz um convite a quem ainda não conhece a maior e mais tradicional feira de produtores do DF. “Venham para a Ceasa. A qualidade é diferenciada, no atendimento existe um contato mais próximo com o fornecedor, e é um ambiente agradável. Realmente só vindo para poder entender”, afirmou. “Aqui estamos sempre abertos para negociação [de preços]”, destacou.
Thiago Alves, 36, por sua vez, começou a trabalhar no Ceasa por iniciativa própria, mas o negócio já se tornou familiar, com mais pessoas da parentela participando das vendas. A motivação para começar foi a dificuldade financeira, mas o que fez o empreendimento continuar foram os bons resultados colhidos ao longo dos 14 anos de comércio na Ceasa.
Atualmente, ele trabalha com tomates, laranjas e frutas vermelhas, como morango, mirtilo, e framboesa – estas duas últimas mais difíceis de serem encontradas em mercados comuns. “O Ceasa hoje é como uma segunda casa. Além do trabalho em si e dos clientes, se tornou um local de amizade, de casa mesmo”, destacou.
“O Ceasa é o local onde se vai encontrar todos os tipos de frutas, das mais difíceis que se possa pensar, como o mangostão [fruta asiática considerada uma das mais saborosas do mundo]. Pode vir que vai ter fruta de qualidade, produtos frescos e novos, e preço bom também”, afirmou.
Qualidade e saúde

Frequentadores assíduos da Ceasa, o casal Marcos de Souza, 40, e Aline Fachin, 45, consideram o local como a feira de maior notoriedade do DF. Eles são moradores do Guará, mas fazem questão de estar no SIA todos os sábados pela manhã para garantir produtos naturais, orgânicos e frescos para o restante da semana. “Aqui tem muita variedade e a qualidade é boa dos produtos oferecidos aqui”, afirmou ele.
Segundo Aline, a principal diferença entre o que encontram na feira e o que encontram nos mercados é justamente o contato com produtos frescos e o relacionamento diretamente com o produtor. “A gente só não vem quando tem algum compromisso ou algo do tipo, mas é difícil. Muitos [dos produtores] a gente liga e encomenda na sexta-feira os produtos, para não correr o risco de ficar sem aqui, do tanto que a gente gosta”, disse.
Ela acredita que comprar na Ceasa se trata de uma maneira de reconhecer o trabalho e apoiar o pequeno produtor. Além disso, também significa mais saúde no dia a dia. “É uma forma de valorizar a agricultura familiar, e acho isso sensacional. Eles continuam tentando manter o cuidado e a qualidade do que a gente se alimenta. Sabemos que as grandes produtoras afora vendem muitas coisas com alterações [químicas], transgênicos”, afirmou.
“Muitas vezes a maçã do mercado, quando se corta, vê que está estragada e às vezes até sem sabor. Mas a maçã daqui [do Ceasa] não. Então a gente vem também pela qualidade do que consumimos, para realmente ter uma saúde melhor. Às vezes o preço é um pouquinho mais caro, mas vale a pena, não me arrependo, porque a qualidade é boa”, afirmou.
Eles aproveitam o caminho para também fazer um lanche em uma das lojas tradicionais, a da Maria Tapioca & Café.
Júlio Holz, 62, é cliente do Ceasa há mais de 30 anos, desde o tempo em que mexia com buffets de churrasco e de restaurantes. A convivência semanal com o espaço o cativou a também tentar a venda de produtos no local. Morador do Lago Oeste, ele produz os vinhos coloniais caseiros “Dona Perpétua”, com uvas plantadas na região, e os vende na feira. O comerciante também mexe com a agroindústria e vende os acompanhamentos como salames e queijos.
São oito anos na Ceasa como comerciante e o, para ele, o tempo no local foi e é valioso. “As vendas são boas, o movimento é bom e gira a mercadoria. Pena que é só um dia e meio período, mas a venda é muito boa, estamos indo bem.” Ele também faz o convite.
“Pode vir para o Ceasa que vale a pena. A grande vantagem daqui é que tem opção para todos os gostos. Tem muitos tipos de mercadoria. Aqui se compra tudo o que se precisa para a casa”, finalizou.
SAIBA MAIS
A feira da Ceasa está aberta aos consumidores a partir das 4h30 aos sábados e segue até às 12h.
A recomendação é de chegar cedo no local para encontrar produtos desejados, especialmente os mais difíceis de serem encontrados nos mercados
Além dos sábados, o Ceasa também tem lojas abertas em outros dias da semana. Consulte o site ou entre em contato pelo (61) 3686-4831.
Os clientes encontram variedades em produtos como frutas, verduras, legumes, ovos, grãos, raízes, flores, queijos, cafés, carnes, vinhos, doces, salgados, ervas, entre outros.
Também é possível encontrar diferentes tipos de lanches no local, como pastéis, crepes e tapiocas.