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Brasília

Catetinho é reformado e resgata a memória da capital

Arquivo Geral

20/04/2012 7h10

Leandro Cipriano
leandro.cipriano@jornaldebrasilia.com.br

 

Um resgate à memória da capital. Para muitos brasilienses, é o que representa a reforma do Catetinho, primeira residência oficial do presidente Juscelino Kubitschek em Brasília. A restauração do prédio de 55 anos mostra que o passado da cidade não foi deixado de lado. Depois de décadas de espera e descaso, a reforma total do antigo Palácio das Tábuas veio como um presente especial para a cidade. A reinauguração do patrimônio histórico e cultural é hoje, véspera do aniversário da capital.

Apesar de ser um dos principais símbolos da história de Brasília, a reforma do Catetinho exigiu muito esforço e dedicação. A obra civil começou em dezembro do ano passado, mas a remoção  dos móveis e a descupinização foram iniciadas em junho. Foram investidos R$ 722 mil no serviço de restauração, segundo o subsecretário de Patrimônio Artístico e Cultural, José Delvinei.

Cerca de 80% da madeira original precisou ser trocada por outra certificada pelo Ibama. Foi construído um escoamento para a drenagem das águas da chuva, que antes faziam a madeira apodrecer. A parte elétrica também precisou ser trocada, além da pintura nova.

 “Por mais registros que tenhamos, é difícil recuperar a nossa história. Parece que ela tem cinco mil anos. Isso porque a memória dos patrimônios se perdeu. Por isso que o Catetinho foi apenas o passo inicial para começar a recuperar neste ano todos os patrimônios remanescentes da época da construção de Brasília”, afirma Delvinei. O subsecretário adianta que os próximos locais estudados para restauração e reconstrução são a Igreja São Geraldo, no Paranoá, e a Igreja de São José Operário, na Candangolândia.

Enquanto alguns passam pela história, outros a vivem. É o caso da aposentada Zenaide Barbosa dos Santos, 72 anos. Ela foi a pessoa que serviu o primeiro cafezinho a Juscelino Kubitscheck, quando ele visitava o local que mais tarde se tornaria Brasília. Na época, aos 16 anos, trabalhava na fazenda do Gama, do lado do terreno onde seria levantado o Catetinho.

“Fico feliz por fazer parte da construção de Brasília, mesmo que de maneira pequena. Mas nunca adivinharia que um cafezinho fosse me render uma história de vida tão boa”, contou Zenaide, uma das convidadas na reinauguração.

 

Para celebrar o momento histórico, os operários que trabalharam na construção também foram convidados pela Secretaria de Cultura para prestigiar  a entrega do patrimônio restaurado, e serem homenageados.  Um deles é Josué Ferreira da Silva, de 85 anos, que virá de Araxá, cidade de  Minas Gerais.

 

A reportagem entrou em contato com Josué por telefone, enquanto embarcava no voo para a capital. Ele  é considerado o operário vivo mais velho, entre os quatro remanescentes de Araxá. Para ele, retornar ao local que contribuiu para ser erguido é emocionante. “Ajudei a construir o Catetinho. Trabalhei dia e noite, por 16 dias. Será bom voltar”, resumiu.

 

Hailton Guimarães é outro funcionário que trabalhou na construção do Catetinho, e que virá de Minas Gerais para Brasília. Na época, ele era responsável pela contabilidade das obras. Com desejo de retratar o fato histórico, Hailton escreveu o livro “A Construção do Catetinho”, editado em 2008.

“Resgatei esse fato histórico, não só para a comunidade araxense, mas também para a população de Brasília e de todo o País. Fiz esse trabalho com muito carinho e amor, para homenagear aqueles que ajudaram a construir o Catetinho”, comentou Guimarães.

 

 

 Leia mais na edição impressa desta sexta-feira (20) do Jornal de Brasília.

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