Rafaella Panceri
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Enquanto os crimes violentos e contra o patrimônio diminuem no Distrito Federal, os casos de estupro só aumentam. Em 2017, o número de homicídios foi o menor dos últimos 15 anos. Houve 498 ocorrências do crime, contra 591 em 2016 — redução de 15,7%. O número de mortes relacionadas ao crime também caiu, de 603 para 504. O cenário positivo contrasta com o aumento dos casos de estupro. Em 2017, o salto foi de 12% no número de ocorrências. O balanço foi divulgado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Paz Social do DF.
Mulheres e crianças foram as principais vítimas do crime de estupro. Dos 687 casos ocorridos até o último dia 15 de dezembro, 466 foram referentes a mulheres e 53 a homens. O número de vítimas com mais de 18 anos foi 340. Entre crianças e adolescentes, foi bem maior: 543. Em quase todos os casos (93%), havia vínculo entre a vítima e o autor. A maioria dos crimes (78%) aconteceu dentro de casa.
O número de pessoas que foram às delegacias da capital para denunciar os crimes de estupro acompanhou a tendência — subiu 32,4%. O índice, porém, inclui estupros ocorridos em outros anos. Para o secretário de segurança Edval Novaes, o crime é um dos mais difíceis de combater. “É mais um trabalho das secretarias de assistência social, saúde e educação. Trabalhamos em conjunto para evitar, mas quando já aconteceu, tentamos identificar o estuprador o mais rápido possível, registrar o crime e garantir que isso chegue à Justiça”, afirma.
A dificuldade de reduzir os casos de estupro tem a ver com a natureza do crime, segundo Novaes: “a maioria é de vulneráveis, dentro de casa, com pessoas conhecidas. É difícil que a polícia faça alguma coisa”.