Ana Karolline Rodrigues e Maria Júlia Spada
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Os resultados das investigações da Polícia Civil do DF (PCDF) sobre a morte de Natália Ribeiro dos Santos Costa, 19 anos, apontaram, nessa segunda-feira (29), que a estudante morreu acidentalmente. Apesar de não ser acusado de homicídio, Wendel Yuri de Souza Caldas, 19 anos, inicialmente investigado como suspeito na morte da jovem, responderá por omissão de socorro, segundo a PCDF. Ao Jornal de Brasília, o defensor público do rapaz, André Praxedes, disse contestar o indiciamento. “Lamentamos a tragédia, a dor da família, mas nós entendemos que não houve omissão de socorro neste caso”, afirmou.
Segundo Praxedes, a omissão “não é pertinente” por duas razões: além do
elevado nível de embriaguez em que Wendel se encontrava, ele não poderia ter socorrido a jovem porque, mesmo que buscasse ajuda, a ação seria insuficiente pelo tempo que levaria para a estudante ser atendida com vida.
“O delegado entendeu que o enquadramento dele na omissão de socorro, crime descrito no Art. 135 do Código Penal, ocorre na segunda parte, que diz que ele pratica a omissão quando, não podendo prestar assistência, está obrigado a pedir socorro a alguma autoridade. Este é outro ponto que temos divergência”, destacou. “Quando ele saiu do lago, chegou lá em cima em alto um nível de embriaguez e deve ter levado um tempo para entender melhor a situação. Então, mesmo que chamasse alguma autoridade, quando alguém chegasse no lago, à noite, essa ação já seria insuficiente”, defendeu.

Quanto ao grau de embriaguez destacado pelo defensor, este explicou que não se pode afirmar, em números, qual seria este nível de alcoolemia, uma vez que Wendel não passou por exame toxicológico. Segundo Praxedes, tal questão foi comprovada, então, através de testemunhas.
“A alcoolemia foi feita na Natália, porque isso é de praxe em todo exame cadavérico. No tocante a um suspeito, essa verificação não necessariamente pode ser atestada através de uma prova pericial. Eu tenho uma narrativa de mais de 30 testemunhas que dizem que ele estava em um nível elevado de embriaguez. Isso para a investigação é extremamente relevante”, ressaltou. “Então eu tenho outros elementos que podem fazer essa afirmação, mas se ele quisesse se submeter a um exame, aí é uma decisão espontânea dele”, completou.
A partir de agora, Praxedes informou que a defesa aguarda manifestação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) quanto ao indiciamento. “Vai caber a ele [Wendel] aceitar um acordo penal ou querer ter oportunidade de provar sua inocência no Juizado Especial Criminal”, concluiu.
Acusação ainda acredita em homicídio
Discordando dos resultados da investigação, a advogada da família de Natália, Juliana Porcaro, informou, nesta terça-feira (30), ao Jornal de Brasília que continua defendendo a tese de homicídio. A acusação agora aguarda por resposta do Ministério Público do DF para o pedido de reconstituição da morte da estudante, encaminhado ao órgão na última semana.
“Essa foi praticamente a única linha de investigação, não fizeram sequer a reconstituição do crime”, disse. Para a advogada, o jovem morador da Asa Norte causou a morte de Natália enquanto ambos estavam submersos. “Eles estavam muito próximos um do outro. Quando ela se afoga, ele se afasta dela e continua olhando para o local durante dois minutos. Tudo isso precisa ser investigado calmamente”, completou.
Outro ponto criticado por Juliana são os vídeos do circuito de segurança de uma lanchonete em que Wendel esteve após sair do evento no Clube Almirante Alexandrino. Tais imagens mostram o jovem conversando com alguns amigos após o ocorrido no Lago Paranoá. “As imagens não foram adicionadas no processo de investigação, nem foi apurado o que ele estava dizendo aos amigos”, contestou.
