O secretário-adjunto da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, Paulo Roberto Batista de Oliveira, disse que “não tem preconceito contra qualquer tipo de pessoa” e que se referiu ao auxiliar de serviços gerais Antônio de Araújo como “um zé” de forma hipotética.
A explicação veio depois de uma entrevista dada por ele ontem, ao G1, quando dizia não acreditar que policiais tivessem envolvimento no caso. Batista teria se referido a Antônio como “um zé”: “Não me parece lógico, não estou dizendo que não ocorreu, que oito policiais tenham matado um ‘zé’ porque ele entrou na casa do cara”, disse.
Em nova entrevista à TV Globo, Batista disse mais: “A Secretaria de Segurança solidariza-se com a família da vítima. Temos prestado toda a assistência possível. Fiz uma observação geral de um caso qualquer dentro da minha experiência de Corregedoria.”
Desaparecimento
Antônio Araújo foi detido por seis policiais militares por suspeita de entrar na chácara de um sargento da PM em Planaltina, em maio do ano passado. De acordo com a polícia, após ter a ficha consultada – que mostrou que ele nunca teve passagens criminais –, ele foi liberado, mas nunca mais foi visto com vida. A ossada dele foi encontrada seis meses depois, na mesma cidade do desaparecimento.
A investigação do caso corre em segredo de Justiça. O sigilo foi solicitado pela juíza da Vara Criminal de Planaltina, antes de a ossada ser encontrada.
Mobilização
A corregedoria da PM não dá detalhes da investigação, que só teve início três meses após o desaparecimento de Araújo, por pressão da família. O caso já mobilizou a Comissão de Direitos da Ordem dos Advogados do Brasil e da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal.