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Brasília

Cartolas

Arquivo Geral

28/12/2018 7h00

Atualizada 30/12/2018 21h59

Nem só de jogadores (bons ou ruins) e torcedores é feito o futebol.

Nem aqui, nem lá fora.

Não podemos esquecer dos cartolas, aqueles seres que na maioria das vezes nunca vestiram um calção, jamais chutaram uma bola, não possuem capacidade administrativa, mas mesmo assim querem ser donos dos clubes.

Muitos fizeram história pelo amor que sentiam aos seus clubes do coração.

Ou pelo lado folclórico – que muitas vezes unia esta paixão enlouquecida típica dos torcedores.

Poderia citar, sem fazer esforço de memória, Carlito Rocha, do Botafogo.

Sua paixão pelo time da Estrela Solitária era tamanha que ele não se importava em deixar a superstição superar a razão, como com a idolatria ao cachorrinho Biriba.

Em São Paulo, como não falar de Vicente Matheus?

O empresário, realizado na vida pessoal, dedicou-se de corpo e alma ao seu Corinthians.

Não ligava nem mesmo quando era ironizado em situações que jamais aconteceram (ou aconteceram?), normalmente ridicularizando-o.

O amor de Vicente Matheus pelo Corinthians era tão grande que até mesmo os torcedores rivais o respeitavam – e sonhavam com um presidente como ele para seus clubes.

Situação semelhante, anos mais tarde, era vivida por Eurico Miranda, no Vasco.

De diretor até alcançar o cargo mais alto no clube de São Januário, Eurico Miranda fez de tudo um pouco no Vasco.

E carregou uma carga de ódio dos rivais por defender seu time acima de tudo, não importando se fossem certas ou erradas suas atitudes para a coletividade.

O poder, porém, subiu-lhe à cabeça e, após um determinado momento, até mesmo os vascaínos começaram a não querer mais que ele estivesse no comando de seu clube.

Hoje doente, Eurico é lembrado pelo seu amor extremo, sim, mas também por diversas situações pouco esclarecidas que, em muitos casos, prejudicaram o próprio Vasco.

Outro salto – poderia falar, para ficar apenas no eixo Rio/São Paulo, de Márcio Braga, de David Fischel, de Manoel Schwartz; ou Felício Brandi e Alexandre Khalil, em Minas Gerais; ou Paulo Maracajá, na Bahia (que entraria, sem favor algum, na lista de Carlito e Matheus – e chegamos à modernidade.

Tempos em que o dinheiro fala mais alto do que qualquer paixão.

Vemos campanhas milionárias para ser presidente de um clube de futebol.

Instituições quase falidas, mas…

Vemos verdadeiras brigas nas eleições.

Grupos se digladiando, ofensas, uma situação inexplicável.

Ou explicável, quando vemos o que aconteceu com o Internacional, há poucos dias, quando o Ministério Público afirmou que na direção do Colorado se instalou uma organização criminosa.

Notas fiscais fraudulentas, despesas não realizadas, dinheiro, dinheiro, dinheiro…

Sem falar que, este ano, o Santos passou por um processo de pedido de impeachmente de seu presidente.

No Rio de Janeiro, dois grandes estão com problemas.

O Vasco, ainda com a sombra de Eurico Miranda, elegeu um candidato que é acusado de traição. Sua administração não é nada boa. Fala-se em impedimento, também.

A situação mais grave, porém, acontece no Fluminense.

Há um grupo político que comanda o clube há oito anos.

Elegeu (e reelegeu) Peter Siemsen. Vendia castelos, entregou areia – movediça.

Dívidas acumuladas, perda de patrocinador e jogadores de baixa qualidade com salários de craques.

O mesmo grupo elegeu Pedro Abad, aí já numa coalizão com outras forças políticas.

Só que, como acontece nestes casos, houve traição – e o tal grupo político ficou só, com seus maus jogadores, seus péssimos dirigentes e sem dinheiro.

Agora, sentindo que a situação é insustentável, tentam uma cambalhota eleitoral.

Querem alterar o estatuto, formar uma nova coalização para… Permanecer no poder. Mesmo que com outros nomes.

Assim são feitos os cartolas do século 21: sem amor ao clube, sem superstições, mas totalmente ligados nos ganhos que podem obter.

 

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