Júlia Carneiro
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Brasília desfila modelos novos com placas oficiais de todas as cores, mas os veículos que mais chamam atenção são os clássicos de placas pretas. Com 30 anos de história, e 99,5% de peças originais, um mero meio de transporte vira peça de museu e orgulho de um colecionador.
Apaixonado pelos clássicos, Marcos Neumann, 52 anos, aposentado, dirige um Ford Galaxy LTD de 74 que serviu o Ministério de Relações Exteriores. Na década de 90, o então presidente Fernando Collor comentou sobre os automóveis fabricados no País: “Comparados com os carros do mundo desenvolvido, os brasileiros são verdadeiras carroças”. A partir dessa premissa, trocou a frota por importados. Foi nesse momento que o pai de Marcos, João Batista, comprou o carro, que agora é uma joia familiar.
Marcos não se considera um colecionador de carros, apesar de ter um placa preta. “Não é que eu colecione, mas participo até de competições de carrinho de autorama”, declara. Ele admite também que a conquista da placa de colecionador é questão de status e traz a realização de um objetivo.
Marcos não deixa o brinquedinho dentro da caixa. O carro já foi utilizado em casamentos das sobrinhas.
Outro apaixonado por carros antigos, o idealizador do Museu do Automóvel de Brasília, José Roberto Nasser Nasser, criou uma série de entidades em torno do hobby. Ele é o curador do acervo de mais de 40 carros de série limitada e raridades automobilísticas, nacional e internacional, e responsável pela formalização e inclusão do título antigomobilismo no dicionário Houaiss, Renato Castelo Júnior, 36 anos, consultor de empresas, herdou um Karmann Ghia quando passou no vestibular, há 18 anos. Desde então, a relíquia já foi mexida e remexida. Há quatro anos, ele procura peças originais para montar o clássico e colocar a famosa placa preta nele.
“Agora, tenho dois novos projetos que acabaram de fazer 30 anos: um Variant II e uma Brasília de 79, ambos da Volswagen”, explica Júnior. Para sua coleção dos sonhos, só faltam uma Kombi e um Fusca. “Eu nem dou um preço hipotético para esse Karman Ghia porque, na verdade, ele nunca estará à venda. Esses carros são considerados os meus outros filhos, tenho dois de sangue e três de lata”, completa.