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Brasília

Carros antigos favorecem roubos

Arquivo Geral

23/02/2016 6h30

Bianca Moura

Especial para o Jornal de Brasília

Há modelos da indústria automobilística que nunca saem de moda e são objeto contínuo de interesse de apreciadores. Os clássicos do passado, no entanto, podem atrair além dos olhares de simples admiradores. Ladrões enxergam nesses veículos uma alternativa mais simples ao furtar ou roubar automóveis, já que   modelos mais velhos costumam não contar com tecnologias de segurança suficientes para evitar esse tipo de ação.      

A empresária Beca Tschiedel, 26 anos, levou um susto na manhã da terça-feira passada. Quando saiu de uma clínica médica, onde se consultava, na 613 Sul, ela constatou que o seu Volkswagen Voyage, de cor verde, 1983, não estava no estacionamento. Imediatamente, a jovem entrou em contato com a polícia e os familiares, além de iniciar uma mobilização nas redes sociais. A história teve final feliz: dois dias depois, o “Brócolis”, apelido do veículo, foi encontrado na 413 Sul.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, não há números referentes especificamente a roubos de veículos antigos. Os dados gerais apontam que, em janeiro deste ano, 999 veículos foram furtados, o que corresponde a 19,2 % a menos ocorrências em comparação ao mesmo mês de 2015, quando 1.237 carros sumiram. A taxa de roubos (quando há violência) também caiu de 522 para 494, o que corresponde a menos 5,4%. 

Mais redução

Outra queda foi na quantidade de automóveis recuperados. Em 2015, foram 732 e, neste ano, 726. A pasta ressalta que “é importante frisar que a queda na localização de veículos, necessariamente, está relacionada à diminuição de roubos (e furtos) de veículos”. 

Para o delegado-adjunto da Delegacia de Repressão a Roubos  e Furtos de Veículos, Raphael Seixas, o furto ou roubo de carros tem, em princípio, três finalidades: desmanche, clonagem ou utilização do automóvel para outro crime. “Não há distinção exclusiva para os carros mais velhos. Claro que os proprietários são mais vulneráveis devido à facilidade que o assaltante tem para entrar”, avalia. 

Outro caso semelhante ao Voyage ocorreu com o cuidador de idosos Adriano Moraes, 44 anos, surpreendido, no domingo passado, por volta das 12h, quando viu que o seu Volkswagen Santana,  cinza, 1997, não estava na garagem de um prédio residencial de amigos, em Samambaia. “Comprei há pouco tempo porque tem manutenção baixa e é fácil de comercializar”, diz. 

Horas depois, por denúncia anônima, o veículo foi encontrado a 1,5 km do local inicial. “Encontramos o carro seco, sem a bateria     e o som, além dos meus tênis, bermudas e perfume”, conta.

Objetos no interior fazem falta

Apesar de localizar o Voyage em menos de uma semana, Beca Tschiedel lamenta a ausência de seus pertences. Dentro do veículo, estavam utensílios essenciais para o seu empreendimento – uma fábrica de biscoitos sem glúten. Os assaltantes levaram mesa dobrável, máquina de café, cadeiras de praia e uma quantidade expressiva de alimentos, como grãos de café orgânico, biscoitos e macarrão sem glúten. “Infelizmente, as coisas não estavam mais no carro. Mas vou ficar de olho nesses sites de venda de produtos. Talvez as pessoas tentem passar para frente por aí”, avalia.

O Voyage verde tem valor emocional para a empresária. O carro, adquirido por seu avô, passou pelas mãos do seu pai e, há um ano, ficou com a jovem. A cor do veículo, semelhante ao recheio de um dos biscoitos que fabrica, incentivou amigos a batizarem o transporte com o nome do vegetal. “Fiz muitas postagens na internet porque, como ele tem essa cor bem chamativa,   não passa despercebido”, completa.

Por isso, ao proteger o automóvel “velhinho”, todo cuidado é pouco. O recomendado, pela delegacia especializada, é preferir estacionar em lugares movimentados, instalar alarmes ou colocar trancas. O Brócolis de Beca, por exemplo, já está na oficina para os ajustes necessários.

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