
Dalva Alves de Alcântara, de 70 anos, acordou assustada com um estrondo em seu portão, por volta das 3h de ontem. Seu marido, Almiro Alves da Silva, da mesma idade, deu um salto da cama e pensou se tratar de ladrões no telhado da residência na QNN 23, Conjunto B, próximo à estação de metrô, em Ceilândia. Ao olhar pela janela que dá acesso à garagem, no entanto, perceberam se tratar de um carro atravessado no portão de entrada, com pelo menos cinco pessoas dentro.
“Havia uns quatro ou cinco homens e duas mulheres. Um deles tinha a mão no carro e outra na latinha. Parecia que tinham bebido, sabe?”, relata a proprietária, ainda assustada com o ocorrido. A idosa conta que está acostumada com a violência em Ceilândia Norte, onde mora há mais de 20 anos, mas é a primeira vez que algo assim “bate” à sua porta. “A gente fica assustado”, diz.
Uma das filhas do casal, que dormia na casa dos pais na ocasião, não quis se identificar, mas contou ter tentado acionar a polícia por mais de uma hora, sem sucesso. “Fiquei com medo porque não sabíamos quem estava ali. Podia ser gente do mal. Liguei para o 190 umas oito vezes e nos avisaram que não havia viaturas para vir aqui”, reclama.
O Centro de Comunicação Social (CCS) da Polícia Militar informou que, entre 3h30 e 5h, pelo menos 15 ocorrências foram atendidas ao mesmo tempo, ocupando todo o contingente disponível no momento. Os crimes eram de gravidade moderada, variando entre porte de arma branca e furto a residência, mas a corporação afirmou que nenhuma poderia ter sido negligenciada.
Desamparo
Diante da situação, Almiro, chamado de Miro pela esposa, decidiu conversar pessoalmente com os envolvidos no acidente. Ele afirma ter tentado dialogar, mas não conseguiu obter informações ou sequer identificar o motorista do carro.
Segundo ele, um dos envolvidos teria passado os contatos, mas o número não teria atendido durante toda a manhã de ontem. Como um dos homens se machucou após a batida, o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) compareceu ao local e atendeu as vítimas ali mesmo. Em seguida, os envolvidos foram embora.
Situação será resolvida na esfera cível
De acordo com a Polícia Civil, como não houve crime, apenas danos materiais, a situação envolvendo os idosos Dalva Alves de Alcântara e Almiro Alves da Silva deve ser resolvida apenas na esfera cível. Na delegacia, uma filha do casal teria sido instruída a pegar a ocorrência hoje para dar entrada na Justiça e pedir ressarcimento pelo portão danificado.
Segundo Almiro, os jovens teriam dito que pagariam pelo estrago causado pela batida. “Disseram que iriam pagar pelo portão, mas não me deram nomes e o telefone que me passaram não presta”, relata.
Reforço
Em casos como o de ontem, quando todas as viaturas da Polícia Militar que atuam na cidade de Ceilândia estavam atendendo a alguma ocorrência, a corporação pode solicitar reforço de outros batalhões. Isso vai depender, no entanto, da gravidade da situação.
Ainda segundo a polícia, o chamado vindo da residência dos idosos foi eventualmente atendido por uma viatura que teria desocupado. Nos registros, no entanto, não consta o horário que o atendimento teria sido feito e a família, por sua vez, não confirmou a presença dos militares na residência.
Prometeram pagar e sumiram
O dono da residência, Almiro Alves, afirma que um dos rapazes, mesmo ensaguentado, teria recusado atendimento médico e continuado a beber enquanto a situação se desenrolava. “Todos tinham entre 30 e 40 anos, eu creio. Eles não queriam que a gente chamasse as autoridades”, disse.
Outra filha do casal reclamou que o carro batido bloqueou, por mais de cinco horas, a principal entrada da casa. “Meus pais ficaram sem ter como sair de casa. Tive que ligar para alguns contatos, que ligaram para outros, para então a Polícia Civil ir à casa deles”, indigna-se a mulher.
A reportagem do JBr. tentou contato com a Divisão de Comunicação da Polícia Civil (Divicom) para interpelar a respeito da suposta demora no atendimento, mas não foi atendida até o fechamento desta edição.
Perícia
A perícia não teria sido feita e apenas um guincho foi chamado para retirar a carcaça do veículo, que teve perda total. O automóvel foi levado para o pátio da 19ª DP (Setor “P” Norte). Até o fechamento desta edição ninguém havia comparecido à delegacia.