Isa Stacciarini
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Foram necessárias mais de 24 horas para retirar o caminhão de São Paulo que entalou desde quarta-feira sobre o viaduto da Epia Sul, na entrada de Candagolândia – BR 450. As tentativas só obtiveram sucesso por volta das 15h15 desta quinta-feira (13). Após ter os pneus esvaziados e retirados, a carreta, que inicialmente foi rebocada por quatro tratores, só foi despreendida quando técnicos do Departamento de Estradas e Rodagem do DF (DER-DF) rebaixaram o asfalto. A operação contou com auxílio de equipes da Novacap, Defesa Civil e Companhia de Polícia Rodoviária Estadual (CPRV).
A responsabilidade da rodovia é do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), por se tratar de uma rodovia federal. No entanto, o DER auxiliou nos procedimentos de orientação e retirada do caminhão.
O veículo transportava uma manilha para uma fábrica de cimento. Ao todo, o objeto e o caminhão equivaliam a uma altura de 5,30 metros. O viaduto, no entanto, tem uma altura equivalente a 4,70 metros. No local não há nenhuma placa de sinalização com as informações sobre o limite de altura permitida.
O superintendente de obras do DER, Fábio Cardoso, garante que nos próximos dias haverá uma sinalização sobre o tamanho da carga permitida para passagem sobre o viaduto. Ele garante que todas as estruturas estão dentro do padrão recomendado. “As placas serão instaladas por precaução, mas as sinalizações ocorrem quando há algo fora do padrão”, afirma.
Dura missão
A alternativa de retirar parte da sustentação do piso que estava debaixo do veículo contribuiu para que a altura do caminhão diminuíssem em relação ao limite de altura do viaduto. “Foi uma dura missão e algo inesperado, por se tratar de uma carga especial trafegando em um local sem autorização”, comentou Cardoso.
De acordo com o Dnit, todas as cargas que contém padrões de peso, altura e largura acima do recomendado precisam de uma Autorização Especial de Trânsito (AET) para trafegar nas rodovias federais. A concessão é emitida considerando as dimensões das pistas, viadutos e pontes em que o transportador pretende seguir com a carga.
No caso da carreta de São Paulo, o órgão informou que não teve acesso aos boletins de ocorrência e, por isso, o órgão não saberia afirmar se a carga teria ou não a autorização para trafegar pelo trecho. Os responsáveis pela fiscalização da AET são a Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Rodoviária Estadual (PRE) ou Polícia Militar (PM).
De acordo com documentos da transportadora, a carga tem autorização para trafegar nas BRs 020 e 040. A permissão para circular na BR 450 não foi concedida. Segundo o representante da transportadora, Anderson Santos não há informações sobre onde uma via termina e em qual local outra começa.
“Não existe nenhuma sinalização nem de limite de altura nem de onde termina a BR 040. Não há como o motorista adivinhar”, ponderou. Para Santos, a rodovia não está preparada para o tráfego de veículos com carga do porte da transportada.
Às 8h30, o congestionamento no local chegou a quase 10 km. O caminhão ficou entalado embaixo do viaduto e bloqueou uma pista.
Essa foi a segunda vez que uma carga fica presa no viaduto em menos de duas semanas.
No teto do viaduto é possível perceber marcas de possíveis veículos que já ficaram presos no local por ter excedido a altura.