Os brasilienses que ficaram no Plano Piloto durante o Carnaval e que foram ao Gran Folia, na Esplanada dos Ministérios, assistiram a grandes espetáculos. O talento musical das bandas e a beleza de dançarinos animaram cerca de 6 mil foliões a partir da meia noite de domingo. Mas a festa movimentou muito mais gente. Cerca de 12 mil pessoas desceram da Asa Norte e da Asa Sul pelo Eixão, cantando e dançando ao som de trios elétricos que arrastaram a massa com muita paz e tranquilidade.
Por volta das 17h, um pequeno público já esperava os foliões na Esplanada. O número de pessoas foi aumentando aos poucos até chegar a cerca de 2 mil pessoas antes da meia-noite, quando chegariam os blocos. Segundo estimativas da Polícia Militar, muita gente se dispersou logo que os blocos que vinham das Asas Sul e Norte se encontraram – o que somaria cerca de 6 mil no local do palco da Gran Folia.
Mas a festa começou cedo na Esplanada, ainda havia luz do sol quando as bandas começaram a mostrar o sucesso que viria horas depois. Especialmente o Galinho de Brasília, com os bonecos gigantes da tradição pernambucana, e o Àsé Dúdú, que, como outras bandas, comprovaram que Brasília tem Carnaval, músicos, cantores e dançarinos impecáveis.
A África se fez presente nos figurinos, nas letras das músicas com seus dialetos, nos búzios, tambores, no sangue quente dos negros, mestiços, enfim, dos brasileiros. Todos protegidos pela vigilância atenta de 300 policiais militares, que ficaram até as 6h do domingo, em carros, motocicletas e a cavalo no Eixão e na Esplanada.
Barracas com a logística dos foliões participantes trouxeram para o Gran Folia os nomes que a capital já conhece bem: Galinho, Pacotão, Mamãe Taguá, Baratinha, Baratona, Àsé Dúdú, Raparigueiros, Menino de Ceilândia.
Paz – Muita gente de roupas e cabelos coloridos apreciou a festa. A família Franco saiu de Taguatinga de metrô e chegou por volta das 18h na Esplanada dos Ministérios. Vestindo uma alegre peruca carnavalesca, Patrícia Franco contou que ela, o marido, Nilson, e o sobrinho Fabian – também com cabelos postiços e bem chamativos – preferiram chegar cedo para pegar a parte mais tranquila do Carnaval.
“O horário é mais calmo. E preferimos vir pra Esplanada porque tudo aqui é está organizado”, afirmou Patrícia. Os três chegaram de metrô na estação da rodoviária e só precisaram atravessar a rua. À noite, voltariam de ônibus e em Taguatinga pegariam um táxi para chegar em casa mais rápido. “Fiquei impressionada, tem bastante ônibus, está tranquilo voltar”.
A família Franco comprou o abadá dos Raparigueiros. “Com a camiseta, as bebidas e os lanches ficam mais baratos”, explicou Patrícia. Ela também elogiou a colocação de banheiros químicos no caminho dos blocos pelo Eixão. “Neste ano, o ambiente está muito bom. Dá pra vir com a família”. Fabian gostou dos CDs e dos presentes jogados dos trios elétricos. “As músicas também estão muito boas. Tem frevo e música baiana”, disse.
Comércio – Os baianos não estavam somente nos palcos. A Bahia está nas ruas da cidade e no talento culinário de Lúcia Valéria Ferreira Neves. Com uma roupa branca e adereços que combinavam com os acarajés, abarás e cocadas da banca, ela se sentia completamente tranquila para atender a freguesia.
“O lugar aqui está bem melhor, tanto para a gente como para os visitantes. E os policiais estão dando a maior assistência. Aqui cada um tem seu espaço. Não tem confusão”, comentou.
Nesta época das preocupações com o politicamente correto, dois repórteres de brincadeirinha – Warley de Souza Cardoso, com o microfone, e o cinegrafista Marcos Garcia – saíram de Goiânia para se divertir e pregar a paz no Carnaval.
“Nós abordamos as pessoas, brincando de fazer entrevista, e nossa proposta é trazer para todos os valores da família, do respeito e da paz”, explicou Warley. Eles fazem parte de um grupo chamado Impacto Jovem com uma Missão, que atua em Goiás e no DF. “Viemos somar”, disse Marcos.