
Meninos e meninas de várias idades animaram o último dia da Baratinha, no Parque Ana Lídia. A garotada se vestiu a caráter para aproveitar o último dia de Carnaval, claro, com o apoio de pais, mães e avós que aproveitaram para também balançar o corpo ao som de bandas bem animadas.
A pequena Estela Ramalho, de oito meses, aproveitou um intervalo da banda do papai, o cantor Marcos Ramalho, 45 anos, para tirar um cochilo. Segundo a mãe, este é segundo ano em que a pequena vai ao bloco. “No ano passado, estava na barriga e hoje, no colinho”, contou Ana Cristiane Ramalho, 35.
União
Alguns faziam da diversão um momento de reunião. A família Teodoro, veterana em Baratinhas, era uma das mais animadas. “Mais do que para as crianças, é um Carnaval da família”, afirmou Valquíria Teodoro, 45 anos, mãe de Augusto César, de oito, e Gabriel Teodoro, de sete. Segundo ela, o bom do bloco é poder levar as crianças para se divertir, sem medo de violência ou obscenidades. A família ainda estava acompanhada do pai, Agnaldo Teodoro, 50 anos.
As amigas Ieva Silva, sete anos, e Isabelli Mirando, oito, dançaram muito ao som da Banda Mambembe Brincantes. Vestidas de princesas, estavam na companhia dos pais. Ieva, em seu segundo ano de Baratinha, não escondia que o melhor do bloco eram as brincadeiras. “Eu gosto porque a gente pode fazer bagunça sem a mãe brigar”. “Eu gosto é de frevo. Estou esperando começar”, completou Isabelli.
Pose de herói
Pássaro ou avião? Bem animado, de um lado para outro, estava Fernando Faria, oito anos. Vestido de super-homem, o menino mostrou que o tema já é um velho companheiro. “Eu venho todos os anos, sempre fantasiado de um super-herói diferente”, contava, caprichando na pose de herói. Ao seu lado estava a mãe coruja, Mariela Faria, 33. “Venho com ele desde quando era bebê”, ressaltou. Mas alegria mesmo sentiu o pequeno Eduardo Vieira, oito anos, que ganhou um patinete em um sorteio, durante o bloquinho. “Muito legal e eu nunca andei de patinete” dizia, ainda sem acreditar.
Mar de gente nos blocos Pacotão e Raparigueiros
A conhecida irreverência do bloco Pacotão destilou crítica à política no encerramento do Carnaval. Os principais alvos foram os políticos do mensalão e a presidente Dilma. Acontecimentos do cotidiano do País, como a crise nos presídios do Maranhão, não foram esquecidos. Nem a Copa do Mundo. “Padrão Fica da Corrupção/Sem saúde e sem educação”, estampava uma das faixas. Há 36 anos na contramão da folia na cidade, o tradicional grupo levou mais de três mil pessoas às principais ruas da capital.
Vindo direto de Olinda (PE), o grupo de amigos fantasiados de Bam Bam e Pedrita, personagens do desenho animado Os Flinstones, ainda tinha energia de sobra para virar a noite na folia. “O legal do Pacotão é a democracia que prevalece durante a festa, tem de tudo, um carnaval sem briga e baderna do mal”, destacou Paulo Ricardo, 22 anos, ainda sem dormir da viagem que fez a Pernambuco.
Cinquenta mil
Do outro lado da cidade, no Eixão Sul, três trios elétricos fizeram a festa de mais de 50 mil foliões no Raparigueiros. Ao som de muito axé music, sertanejo universitário e do sucesso do momento, o Lepo, lepo, milhares de jovens se esbaldaram mesmo debaixo de forte chuva que caiu no fim dia. Para esquentar o frio, um cardápio variado de bebidas destiladas vendidas por vários ambulantes que circulavam pelo local. A festa, que se estendeu até a meia-noite no Eixão, seguiu para o Museu da República, se concentração na Gran Folia.
Fantasiadas de diabinhas, o grupo de amigas Letícia Martins, Júlia Schiavolini, Sophia Lima e Caroline Franco, todas na faixa etária entre 16 e 17 anos, era só azaração com seus tridentes infernais. “Temos que aproveitar bastante porque é só uma vez no ano”, diz Júlia.
Passarela com atmosfera carioca
Na Passarela da Alegria, o desfile das escolas de samba do Grupo Especial foi aberto pela União da Vila Planalto/Lago Sul, com um enredo de tempero carioca. Pela primeira vez na elite do Carnaval brasiliense, a atual campeã do Grupo de Acesso homenageou o sambista Aroldo Melodia, intérprete da escola de samba União da Ilha do Governador por 36 anos.
Para um público ainda pequeno, a estreante trouxe a temática da Cidade Maravilhosa para a avenida. Os carros alegóricos representaram desde a boemia até o grande símbolo carioca, o Cristo Redentor, que impressionava pela altura. Em outro carro, passistas desciam e dançavam o samba de gafieira.
O homenageado era conhecido pela afinação acima da média e também foi responsável por vários sambas enredo ao longo da história da União da Ilha. A escola de samba brasiliense contaria com a presença do irmão de Aroldo, Ito Melodia.
A chuva que caiu horas antes do desfile deixou a passarela, algumas fantasias e carros alegóricos molhados, o que não atrapalhou a animação da escola. O que surpreendeu foi a dispensa da bateria em usar o recuo, no meio do percurso. A ala dos músicos estava na parte final do desfile e passou direto.
Disputa
A apuração dos votos dos jurados acontece hoje, às 14h. A atual campeã do Carnaval brasiliense é a Acadêmicos da Asa Norte, que também venceu a disputa em 2012.