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Brasília

Carlos Minc convoca universidades para dizer não às termelétricas

Arquivo Geral

17/06/2009 0h00

O ministro do Meio Ambiente, clinic Carlos Minc, try convocou as universidades brasileiras para o combate às usinas termelétricas a óleo e a carvão. “Abrimos guerra contra elas e espero que a academia, this que conhece bem esse problema, se manifeste”, disse na noite de terça-feira, 16 de junho, durante palestra na Universidade de Brasília. Ele alerta que, sem tecnologia, as alternativas “limpas” permanecem enviáveis. “Lanço aqui um desafio, vamos mostrar que é possível uma nova matriz energética nesse país”, reforça.


A produção de energia eólica, uma das alternativas de menor impacto ambiental, é irrisória no Brasil devido aos custos – hoje ela é 50% mais cara que a hídrica. Quando comparada com Portugal, por exemplo, a produção nacional é quatro vezes menor. “Precisamos baratear, cortar imposto, fazer leilão e buscar formas de ligar a rede, que é o que mais encarece. É uma decisão política investir ou não”, afirmou Carlos Minc. “As universidades dão boas respostas, mas acho que podemos dar muito mais”, destacou o ministro, que também é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.


Carlo Minc reconhece que a matriz energética brasileira está ficando mais “cara” e “suja”, devido ao aumento da participação das usinas térmicas. Militante ambientalista há 20 anos, ele demonstrou no debate sua insatisfação e defendeu medidas rigorosas para amenizar o impacto dessas usinas. “Queremos fazer com que os empresários compensem 100% das emissões e plantem milhões de árvores. Mesmo com o setor alegando que isso vai encarecer em 40% o produto final”, alertou.


Luta diária
A briga com o setor econômico e até mesmo dentro do governo, como relata Minc, é diária. O projeto nacional de expansão de energia prevê aumentar em 15% a participação das usinas térmicas. Hoje, 85% da matriz brasileira é composta por hidrelétricas. A cada licenciamento dessas usinas uma grande polêmica é gerada. “Vira uma guerra, o governo quer licenciar todas e os ambientalistas nenhuma”, informou. E adiantou que, nessa batalha, ele optará pelas “boas” hidrelétricas – que geram mais energia e produzem menor impacto ambiental, em detrimento das usinas térmicas.


“Se detonarmos todas as hidrelétricas, vamos ter mais térmicas a óleo e a carvão”, explicou o ministro. Na avaliação entre custo ambiental e benefício, as construções previstas na Bacia do Tocantins, segundo Minc, são uma boa opção. Enquanto que na Bacia do Araguaia, análises demonstram que a construção dessas usinas pode prejudicar muito a região. “Nessas vamos dizer não”, afirmou.


Carlos Minc disse que na defesa do meio ambienta o grande desafio é enfrentar o setor produtivo e áreas do próprio governo. “Parece que o nosso papel é empatar o desenvolvimento, quando na verdade temos é que criar critérios”, disse o ministro, que terminou a conferência mandando “saudações ecológicas e libertárias” à platéia de mais de 80 estudantes e pesquisadores da UnB.


Egocentrismo
O senador e professor da UnB Cristovam Buarque também participou do debate. “A sensação que eu tenho é que os setores do governo trabalham de forma egocêntrica”, afirmou Cristovam. “Os ministérios do Meio Ambiente e da Energia estão divorciados. Não vejo um consenso em relação à matriz energética”, completou o senador. Para ele, o debate não é sobre se o Brasil vai se desenvolver ou não, mas como isso vai acontecer.


Antes de vir à universidade, Minc estava respondendo aos deputados da Comissão de Segurança Pública da Câmara sobre denúncias de apologia ao uso de drogas quando participou da “marcha da maconha” no início de maio, no Rio de Janeiro. Polêmico, ele, que já foi deputado estadual do Rio, chegou a defender projetos a favor do passe-livre estudantil e contra a discriminação de gays e lésbicas.


 

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