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Brasília

Capital do País não é referência quando o assunto é lixo

Arquivo Geral

12/02/2011 16h41

 

Narlla Sales

Narllasales@jornaldebrasília.com.br

 

Sancionada pelo ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva em agosto de 2010, a lei que instituiu a Política Nacional dos Resíduos Sólidos ainda não é uma realidade no Distrito Federal. Enquanto isso, a iniciativa privada e a população tomam atitudes para amenizar o problema e esperam das autoridades alguma atitude. 

 

O Governo do Distrito Federal, por meio da recém criada Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH), promete assinar ordens de serviço e um projeto para que o Lixão da Estrutural, considerado um aterro controlado, comece, no próximo dia 21 de abril, a ser extinto. “Brasília está atrasada no que diz respeito à destinação dos resíduos. São nove toneladas de lixo produzidos todos os dias”, afirma o secretário do Meio Ambiente, Eduardo Brandão.

 

Brandão destaca também que, dessas toneladas, 70% é lixo produzido pela Construção Civil. “Estamos jogando uma fortuna fora, pois grande parte desse lixo é reciclável”, disse.

 

Dentre as medidas propostas pela lei, consta a proibição de criação e manutenção de lixões onde os resíduos são lançados a céu aberto. Os governos locais terão que construir aterros sanitários ambientalmente sustentáveis, onde só poderão ser depositados resíduos sem qualquer possibilidade de reaproveitamento. 

 

Na gestão anterior, diversos editais foram abertos para licitar a obra de construção do primeiro aterro sanitário do DF, mas o processo está paralisado por decisão do Tribunal de Contas do Distrito Federal. Segundo a SEMARH, o atual governo pretende reformular a estrutura do projeto e deixando-o mais barato e eficaz. Somente após esse passo, outro edital seria lançado. 

 

A falta de uma política pública clara sobre o cuidado com o meio ambiente dificulta a adesão da população. Para o morador de Águas Claras, Márcio Oliveira, 31 anos, a população está disposta, mas o governo não corresponde. “No meu condomínio os moradores foram motivados a fazer a parte mais chata, que é separar o lixo, mas tudo era perdido quando o caminhão de lixo passava e misturava tudo novamente”, conta. 

 

Empresas comprometidas com o Meio Ambiente

 

No Distrito Federal o assunto ainda é considerado novo na iniciativa privada. Algumas empresas já têm posturas que contribuem para uma mudança de cultura sobre o destino do lixo que é produzido e buscaram a certificação ISO 14001.

 

A norma define os processos de um sistema de gestão ambiental efetivo e exige a responsabilidade da empresa com o meio ambiente, a estruturação de um sistema com programas ambientais, monitoramento e tratamento de resíduos, além do investimento em ações para sensibilização de colaboradores e clientes sobre a necessidade de cuidar do planeta.

 

 

No Laboratório Sabin, certificado em novembro de 2010 com a ISO 14001, todos os ciclos de produção são controlados nas mais de 50 unidades espalhadas pelo Distrito Federal. Segundo o gestor de sustentabilidade do laboratório, o bioquímico Antônio Leitão, no processo de adequação à norma – que, segundo ele, se iniciou bem antes da decisão de buscar a certificação – todos os colaboradores receberam treinamentos para aderirem à novidade. “Nós nos reunimos mensalmente para conversar sobre o assunto. Todos os colaboradores precisam participar do processo para que dê certo”, afirmou.

 

O gestor conta que na tese de mestrado que desenvolveu na Universidade Católica de Brasília, criou um sistema de tratamento de esgoto que oxida os 1200 litros produzidos na área técnica do laboratório e os transforma em água e sal. “Com essa técnica, nós protegemos o meio ambiente e economizamos cerca de  R$ 40 mil por mês”, revelou.

 

A falta de aterros sanitários e também de empresas confiáveis para o descarte dos materiais faz com que as organizações certificadas pela ISO 14001 em Brasília transportem os resíduos para outros estados. É o caso do shopping Pátio Brasil, que tem convênio com a Brasil Recicle, empresa de Santa Catarina – também certificada pela ISO 14001 – que recolhe as lâmpadas fluorescentes. 

 

Sobre o cuidado com as lâmpadas – cada uma pode contaminar até 15 mil litros de água – o superintendente do Pátio, Leonel Taffarel, afirma que todos os lojistas são orientados a não quebrar as lâmpadas e a manusear para dar um destino seguro a elas. “A administração do shopping multa as lojas que quebram essas lâmpadas. O trabalho de consciência tem dado muito certo e há tempos não precisamos sancionar ninguém por causa disso”, conta.

 

A SEMARH pretende firmar parcerias com empresas e mobilizar as comunidades para conseguir reorientar a história da capital quando o assunto é destinação segura do lixo. “Desenvolvimento sustentável é feito de etapas complementares. Brasília, hoje, não tem início, meio ou fim. Precisamos construir uma nova cultura de preservação do meio ambiente”, declarou Eduardo Brandão. 

 

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