O Conselho Nacional do SESI lança nesta quinta-feira (13), em Brasília, uma campanha inédita contra a exploração sexual de crianças e adolescentes. A partir de 2013, a frase “Não desvie o olhar. Denuncie.” será exibida em adesivos e recibos emitidos por taxistas da Capital Federal. A campanha tem foco na Copa das Confederações e no Mundial de 2014, e deverá ser implantada nas doze cidades-sede.
A iniciativa tem o apoio da Secretaria de Transportes do Governo do Distrito Federal (GDF), da Associação dos Taxistas de Brasília (ATB) e do Sindicato dos Permissionários de Táxis e Motoristas Auxiliares do Distrito Federal (SINPETAXI). A expectativa é que o material de divulgação da campanha seja usado em pelo menos metade da frota, estimada em 5 mil táxis que circulam pelo Distrito Federal.
“Queremos abordar os turistas dentro dos táxis, um meio de locomoção propício para sensibilizar as pessoas. Também queremos o apoio dos próprios motoristas para que eles possam nos ajudar no convencimento de que no Brasil não toleramos a exploração sexual”, afirma o presidente do Conselho Nacional do SESI, Jair Meneguelli. Para o secretário de Transportes do DF, José Walter Vazquez Filho, a campanha ataca um crime repugnante e inaceitável. “Turistas ou não, todos precisam ser conscientizados. A campanha pode contribuir inclusive para que cresça o número de denúncias contra quem explora ou, de alguma forma, facilitar a exploração sexual”, afirma Vazquez Filho.
Além dos adesivos que serão exibidos nos vidros e dos recibos que chegarão às mãos dos passageiros, quem estiver dentro dos táxis de Brasília também visualizará a mensagem contra a exploração sexual por meio de brindes, como lixeiras para carro e canetas.
Campanha Internacional
Paralelamente, ocorrerá na Europa e África um esforço para sensibilizar turistas de 20 países de que a exploração sexual é crime no Brasil. Coordenada pela ECPAT France (End Child Prostitution and Trafficking), coalizão de organizações que trabalham pelo fim do turismo sexual, prostituição e tráfico de crianças, a campanha terá o apoio do SESI e compreende eventos de mobilização, ações em redes sociais, mídia e sensibilização de profissionais do setor turístico para que não aceitem a prática do crime e o denunciem. A campanha nos países de origem dos turistas que chegarão ao Brasil para os próximos grandes eventos esportivos foi anunciada em Paris durante seminário internacional sobre o tema em outubro passado.
Para o presidente do Conselho Nacional do SESI, a abordagem aos turistas que vêm ao Brasil deve incluir, além dos taxis, as áreas de desembarque dos aeroportos e os hotéis. “Não será por falta de avisos que eles vão se aventurar a molestar crianças e adolescentes. Se o fizerem, saberão que cometem um crime”, afirmou Meneguelli durante o evento na França.
SESI, membro da rede nacional de enfrentamento à exploração sexual
Para apoiar a luta contra o fenômeno no Brasil, o Conselho Nacional do SESI criou em 2008 o projeto ViraVida. Por meio do programa, jovens de 16 a 21 anos que sofreram abuso ou exploração sexual recebem capacitação profissional, atendimento psicossocial, educação básica e inserção no mercado de trabalho. O projeto é desenvolvido em parceria com o Sistema S em 17 estados (CE, BA, SE, PE, RN, PA, AL, MA, PI, PB, DF, RS, PR, RJ, RO e MG) e está em fase de implementação em Manaus (AM), Goiânia (GO), Cuiabá (MT) e São Paulo (SP).