Da Redação,
com UnB Agência
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A realização de trotes na Universidade de Brasília (UnB) rende nova polêmica. Desta vez, os protagonistas foram os alunos de Agronomia, que fizeram esta semana brincadeiras consideradas de mau gosto com os novatos. Entre outras coisas, ele colocaram os calouros para escorregar em uma poça de água depois de terem tido o corpo sujo com tintas, café, ovos, farinha e vinagre. A maioria estava com a boca roxa por conta do uso de Violeta Genciana, um corante antimicótico.
O episódio ocorreu poucos dias depois de um trote dos alunos de Química ter provocado a reação de uma professora, que não gostou da atitude dos veteranos. Por conta da reclamação, a UnB levou o tema para debate no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), que irá discutir o assunto no próximo dia 22.
O calouro de Agronomia Emanuel Rodrigues disse não “curtir muito esse tipo de trote”, apesar de ter feito parte dele. “Mas entrei na onda do pessoal”, emendou.
O reitor José Geraldo de Sousa Junior condenou o trote. Ele considerou a atitude dos veteranos agressiva e incondizente com o ambiente universitário. “Os novos alunos não devem ser submetidos pelos veteranos a atitudes vexaminosas”, afirmou. “São atitudes que ferem a ética universitária.”
Vitor Dias, do 2º semestre, e um dos organizadores do trote, declarou que a intenção era promover a interação entre os calouros. “É como se fosse uma iniciação mesmo. Depois do trote, acaba a divisão entre calouros e veteranos”. O calouro Sérgio Fernandes era só elogios ao ritual. “Sou a favor do trote, pois o que diferencia o mundo acadêmico do Ensino Médio é o trote”, destacou. “É o único dia da nossa vida em que vamos fazer isso”.
“Eu acho esse tipo de trote ridículo e sem criatividade. Isso não cativa os calouros”, condena Marcelo B., do 10º semestre. Para o formando, uma boa solução seria levar os novos universitários para conhecer uma propriedade rural e apresentar a realidade da profissão. “Acho que tinha que ser alguma coisa para fazer o bem. Olha o tanto de alimentos que gastaram sujando os calouros”.
De acordo com a presidente do CA de Agronomia, Emanuele Cardoso, o trote foi normal. “ Ninguém foi forçado a nada”, afirma. “Foi mais para o pessoal se divertir”.
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