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Brasília

Calçadas rachadas e com buracos prejudicam locomoção da população do Sudoeste

Péssimas condições das vias públicas destinada aos pedestres oferecem risco de queda para cadeirantes, idosos e crianças

Carolina Freitas

17/07/2024 17h26

calçadas capa

Foto: Carolina Freitas / Jornal de Brasília

As péssimas condições das calçadas que colocam em risco a mobilidade da população de Brasília não atingem somente o Plano Piloto, conforme o Jornal de Brasília mostrou na edição do último dia 15. Os moradores do Sudoeste enfrentam o mesmo problema com grandes rachaduras, buracos e desníveis nas calçadas da Região Administrativa, oferecendo perigo para pedestres, principalmente para cadeirantes, idosos e crianças.

O JBr, foi à Quadra 304 do Sudoeste, uma das mais afetadas pelas péssimas condições das calçadas, e observou de perto os problemas enfrentados pelos moradores. As calçadas da quadra são antigas, e a população cobra que sejam feitas revitalizações urgentes nos trechos que encontram-se quebrados e estragados. A cada rua que a reportagem passava, as rachaduras, buracos e desníveis ficavam ainda piores, chegando a atingir até calçadas novas que foram inauguradas junto com o Viaduto do Sudoeste, em outubro de 2023.

Nem as calçadas novas escaparam das rachaduras, um trecho específico próximo ao Viaduto do Sudoeste foi avistado pelo JBr ainda pior, com pedras soltas e quebradas, no local tinha até um cone amassado do Departamento de Trânsito (Detran-DF) para sinalizar que a calçada está danificada. Para o jornalista Diego Veiga, 25 anos, que é cadeirante e mora no Sudoeste, a revitalização das calçadas deveria ser uma prioridade das autoridades responsáveis: “O problema das calçadas deveria ser uma prioridade e estudado junto com as pessoas que mais são afetadas, a acessibilidade tem que ser uma prioridade do governo”.

“Eu sou cadeirante desde os 12 anos e desde então eu percebo que o maior problema é a questão das calçadas que são muito esburacadas, desniveladas e tem pouca manutenção. Infelizmente, é um problema que atinge Brasília inteira, não somente o Sudoeste. Sendo um problema não somente para quem é cadeirante, mas para os idosos e pessoas com carrinho de bebê que também precisam de um terreno mais liso para não causar acidentes. Inclusive, eu já me acidentei, acabei caindo uma vez da minha cadeira por conta de calçadas esburacadas e com desníveis”, comentou Veiga.

A prefeita da Quadra 304 do Sudoeste, Marli Oliveira, 73 anos, explicou ao JBr que o problema das calçadas da quadra é antigo, e que há tempos ela, em nome de todos os moradores, cobra à Administração do Sudoeste e a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) para que sejam revitalizadas essas vias públicas. “Essas calçadas tem uns 20 anos, tem muito tempo e elas precisam ser restauradas. O que a prefeitura arrecada não é suficiente para restaurar as calçadas”, disse.

Marli lembrou ainda que há algum tempo os próprios moradores gastaram cerca de R$ 30 mil para consertar buracos, rachaduras e desníveis das calçadas da quadra, mas não deu para arrumar todos os trechos: “Nós fizemos uma vez com recursos próprios, mas nem deu para arrumar a calçada que estava pior. Porém eu não acho justo usarmos o dinheiro que é arrecadado dos moradores para fazer coisas para a quadra, o dinheiro é para comprar lixeira e pagar funcionário para fazer limpeza, não é para fazer obras públicas”.

“Eu já fui à Novacap, mas eles falaram que não tinham verba. Fui na Administração, mas eles também não têm verba. Então me mandaram procurar uma emenda parlamentar com um deputado. Eu já até fui atrás dos deputados, mas até agora não tenho nenhuma resposta. O pior é que a população é que tem que correr atrás dos recursos, sendo eles conhecem os problemas. Eu queria apenas que me dessem um prazo de quando seria feito, mas até agora a resposta é só que não tem verba”, completou Marli.

O advogado Pedro Cunha, 50 anos, mora perto do Viaduto do Sudoeste, e também sofre com as rachaduras e desníveis nas calçadas: “Moro na Quadra 105 e tenho diversas dificuldades para transitar nas calçadas porque o que se vê é que o conserto das calçadas é paliativo. Quando começam a aparecer falhas nas calçadas eles apenas lixam ou colocam um cimento de péssima qualidade. Percebemos muito um desinteresse em trocar as calçadas velhas, outro ponto que levanto é a questão do ciclista transitar onde somente o pedestre poderia transitar, sendo um total desrespeito”.

Em nota, a Administração do Sudoeste e a Novacap informaram que não há previsão de revitalizações na Quadra 304: “Esclarecemos que a Novacap executa esses serviços após solicitação feita pelas administrações e mediante liberação de orçamento ou destinação de recursos parlamentares. No entanto, ainda não há previsão para a execução de serviços nos locais mencionados. Em relação a calçadas próximas do viaduto, pode ser checada junto à Secretaria de Obras”.

Já a Secretaria de Obras esclareceu que a pasta não executa serviços de manutenção: “Quando uma obra é concluída, essa competência recai sobre a Novacap e as Administrações Regionais. Com relação ao viaduto do Sudoeste, a pasta informa que todos os serviços previstos em contrato foram devidamente executados. No entanto, no caso específico das calçadas situadas nas proximidades do viaduto, a Secretaria de Obras informa que técnicos da pasta estiveram no local para vistoriar as calçadas e elaborar laudo técnico”.

“Caso seja constatado que as rachaduras foram causadas por má execução do serviço pelo consórcio responsável pela construção do viaduto, este será acionado para execução dos reparos. Importante destacar que a obra se encontra dentro do prazo de garantia de cinco anos estabelecido na lei de licitações e contratos administrativos. Caso seja constatado que as rachaduras foram causadas por algum veículo que tenha transitado pela calçada, por exemplo, o consórcio não pode ser responsabilizado, uma vez que não deu causa ao dano”.

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