Lucas Valença
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O racionamento de água no Distrito Federal afetou a rotina dos brasilienses entre 2017 e 2018. Em 2019, a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) não fará esquema de rodízio, garante seu presidente, Fernando Leite, em entrevista exclusiva ao Jornal de Brasília. Ele também defendeu uma melhora, perante a população, da imagem da empresa que foi afetada por “traumas e arranhões” com os constantes programas de economia de água.
A solução será colocar em funcionamento a obra de Corumbá IV e introduzir os mecanismos para evitar perdas de água que já superam 35% do que a empresa fornece ao DF. Só que os problemas financeiros herdados por gestões passadas devem afetar o desenvolvimento desses projetos.
Além disso, ontem, o Ministério Público teve acatado pela Justiça um pedido de suspensão da posse de Fernando Leite. Ele avisou que recorrerá da decisão, que deverá receber a palavra final da instância superior.
É a segunda vez que o senhor assume a presidência da Caesb. Como está sendo esse retorno?
É uma grata satisfação de voltar à casa que trabalhamos durante muitos anos e que conseguimos fazer tanta coisa boa durante a passagem.
Mas os tempos mudaram, nós encontramos muita diferença com relação à última vez em que estive aqui. A companhia está em uma situação financeira delicada, com sérios problemas de caixa, endividamento e dificuldades para cumprir compromissos. A Caesb, devido também aos problemas que a empresa atravessou em 2017 e 2018, sofreu traumas com relação ao racionamento feito, o que levou os servidores a ficarem desmotivados e provocou sérios arranhões da relação da empresa com o conjunto da sociedade.
Se você deixar faltar água na residência das pessoas, realmente isso traz um trauma muito grande. E a companhia acabou recebendo toda esta carga de insatisfação, o que refletiu no quadro desmotivado dos funcionários.
E como o senhor pretende melhorar essa relação com a sociedade?
Só tem uma forma, que é melhorar a qualidade do serviço. A primeira coisa é afastar o risco do racionamento, ou seja, garantir à sociedade que não haverá mais risco de racionamento. Segundo, nós vamos universalizar o serviço de água e a coleta de esgoto, para assim, atender a 100% da população.
Neste primeiro momento fizemos um diagnóstico e debatemos internamente e decidimos criar o programa “Nova Caesb” que irá resgatar a empresa. Nós discutimos este modelo na última sexta-feira (29), em uma grande reunião, com o nosso corpo de empregados. Este programa nos dará a condição de ir para campo e buscar os resultados que precisamos.
São quatro os suportes deste modelo. O primeiro é a melhoria do clima organizacional,o que significa que iremos investir internamente para que toda a empresa esteja apta e motivada para cumprir os objetivos. O segundo pilar é o de aumento da receita, para que possamos cumprir os nossos compromissos e nossos débitos. No entanto, este aumento se dará basicamente em função de novas ligações. O outro eixo é o da redução das despesas, já que entendemos que existe uma gordura que pode e deve ser queimada. Já o último suporte é o da eficiência. O mundo se modernizou muito, então a intenção é implementar uma Caesb digital e, cada vez mais, informatizada.
O Distrito Federal vive a possibilidade de um novo racionamento para este ano?
Não. Por uma razão muito forte e objetiva, nós vamos botar em operação o sistema Corumbá que é uma grande obra que não foi possível concluí-la no governo passado, mas que cabe a nós colocá-la em operação e isso estamos fazendo. Estamos corrigindo todos os defeitos que encontramos e encurtando os prazos para que possamos colocar a Corumbá em operação. Com ela funcionando nós teremos água de sobra para atender o DF por muitos anos. Então não teremos racionamento neste ano.
Uma coisa que vemos muito é o desperdício de água, como combater a prática?
Nós precisamos primeiro combater o desperdício que é de obrigação da Caesb, os outros devem ser combatidos pelo usuário. Agora, nós temos um desperdício que vem das chamadas perdas de água que, hoje, estão acima de 35% do que distribuímos no DF. Então essas perdas por vazamentos, fraudes, desvios, ligações clandestinas, são uma sangria direta nos cofres da empresa e vamos combatê-las. Com relação aos consumidores, nós vamos fazer campanhas de conscientização.
O Judiciário acatou pedido do Ministério Público (MP) que pedia a suspensão da posse do senhor como presidente da Caesb. O senhor pretende recorrer?
Há pouco tempo eu fui alvo de uma ação do MP contestando a minha posse. Hoje teve uma decisão da juíza em meu desfavor. Isso faz parte do processo, ela poderia aceitar ou não a ação do MP. A juíza, no entanto, achou por bem, no exercício democrático da regra jurídica, aceitar. O que nos cabe agora? Nós vamos obviamente recorrer para a segunda instância, mas de qualquer forma haveria recurso. Se nós ganhássemos, a outra parte iria recorrer.
Então isso vai para a segunda instância e lá deve ser decidido de uma forma definitiva.
O senhor tem algum receio de que a segunda instância mantenha a decisão?
Absolutamente nenhum. Tenho a consciência tranquila de que não houve nada de errado. A nossa defesa, inclusive, alegou que lá atrás, porque essa é uma ação de 2003, já foi imposta uma penalização.
A pena principal era de que ficaríamos três anos sem ocupar cargo público, e temos plena consciência que já cumprimos isso. Eu fiquei de 2011 até 2019 sem ocupar nenhum cargo público, por tanto, há um entendimento da minha defesa de que esta penalidade já foi cumprida e estou até com crédito