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Brasília

Cada vez mais frequentes, agressões físicas e discriminação preocupam pais e alunos

Arquivo Geral

11/10/2012 7h05

Fábio Magalhães
fabio.magalhaes@jornaldebrasilia.com.br

 

Vitima de violência física e psicológica desde agosto,  Pedro (nome fictício), 11 anos, estudante de uma escola particular de Samambaia,  sofre todos os dias com o preconceito dos colegas de classe em relação à sua cor. Por ser negro e com menor poder aquisitivo do que os outros alunos, ele sofreu agressões verbais com palavras de baixo calão e injúrias raciais praticadas por três colegas de sala. O caso de Pedro não é isolado. Os constantes registros de violência e discriminação dentro das escolas do Distrito Federal têm atraído a atenção dos educadores, pais e também do poder público. 

 

Conforme o último estudo realizado pela Secretaria de Educação sobre o assunto, 70% dos alunos da rede pública já presenciaram alguma agressão física em ambiente escolar e 15% afirmam ter sido vítima deste tipo de violência. Já nas escolas particulares, embora haja a incidência, não existe um controle sobre esses dados e a grande maioria das ocorrências é omitida.

 

 Segundo a mãe do estudante Pedro, que preferiu não se identificar, as agressões verbais são constantes e os alunos chegaram ao ponto de agredir o garoto. “Xingam o meu filho de macaco, preto, imundo e outros nomes mais pesados. Já deram um soco no rosto dele e até quebraram o óculos que ele usa. É uma atitude desumana. O Brasil, de modo geral, não está preparado para conviver com negros”, conta.

 

Chorando, a mãe relata que, diante da discriminação por causa da cor, o filho desenvolveu uma obsessão por banhos “para se limpar e tirar a cor de sujeira, como os colegas dizem”. 

 

Ao analisar o caso, a psicóloga Luciana Castro explica que a atitude apresentada pela vítima é uma forma de externar os sentimentos de inferioridade e repressão. “As agressões normalmente são praticadas em grupo e os banhos são tentativas de retirar as características que são alvos de chacota dos colegas de classe, que nesse caso é a cor da pele. É preciso que a escola crie programas de incentivo à convivência sem preconceitos, uma vez que esse problema afeta a todos”, avalia.

 

 

O coordenador de Educação em Direitos Humanos da Secretaria de Educação, Mauro Evangelista, explica que a ocorrência da violência em ambiente escolar na rede pública de ensino tem sido denunciada com mais frequência e que os índices não apresentaram aumentos.

 

Na avaliação de Evangelista, as agressões físicas e psicológicas que acontecem nas escolas são resultado de um processo de degradação da sociedade, que acaba culminando no processo educacional. “A violência na escola é um sintoma de uma manifestação de situações, de um conjunto de mal-estares que afeta o aluno, a família e também as instituições que, na maioria das vezes, não estão preparadas para atuar neste sentido”, aponta.

 

 

O estudo da Secretaria de Educação analisa que a violência se apresenta em três formas distintas que variam da mais leve, com agressões verbais, e chega à mais grave, quando há agressões físicas e lesões à vitimas ou patrimônios.

 

De acordo com a coordenadora de Juventude e Políticas Públicas da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), Mirian Abromovay, não há uma razão específica que motive a violência no ambiente escolar. No entanto, ela salienta que um dos principais fatores é a discriminação racial. “A violência é um fenômeno multifacetado. Há varias causas, mas uma das que se destacam é o preconceito”, afirma.

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