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Brasília

Cada um se vira como pode para se proteger da violência

Arquivo Geral

12/04/2014 9h08

Cansados de serem vítimas da violência, os moradores do Distrito Federal decidiram se mobilizar. A população vem buscando formas de chamar a atenção do poder público para o problema. Enquanto aguarda alguma solução efetiva, tenta mudar a realidade, convocando vontades para atuar em busca de um propósito comum: a paz. Para especialistas, ainda que tardias, as ações aproximam o cidadão das decisões e podem, sim, interferir no futuro. 

“Finalmente, os moradores do DF acordaram. É uma grata surpresa que isso esteja acontecendo, mesmo que tardiamente, mas ainda dá tempo de mudar o cenário”, avalia o docente da Universidade Católica de Brasília (UCB), Nelson Gonçalves, especialista em violência, democracia e segurança cidadã. 

Em Taguatinga Sul, duas instituições privadas de ensino decidiram combater a violência que rondava as escolas. Uma delas contratou agentes patrimonialistas para vigiar o lado de fora do colégio. A atitude foi tomada após vários assaltos nos arredores da unidade. 

Ronda não intimida

“Chegamos ao limite. Pais e alunos estavam reclamando. Foi preciso isso para que nos sentíssemos menos reféns da violência”, explica a assessora da escola, Gabrielle Garcia. O diretor da instituição, que preferiu não ter o nome revelado, conta, ainda, que reforçaram a iluminação do lado de fora, podaram árvores e enviaram um ofício ao Batalhão Escolar, pedindo auxílio. 

Em apenas duas semanas de trabalho, contam os agentes da escola, já deu para perceber que, realmente, o local é perigoso. “Mesmo com a nossa presença, os assaltantes não se intimidam. Por isso, já presenciamos roubos, ameaças. Até menores armados passam na frente da escola. É uma situação complicada, que precisa de apoio e reforço do poder público”, afirmam Francisco e João, parceiros de ronda do lado de fora da escola. 

Ponto de Vista
“As mobilizações sociais são válidas, importantes e chamam a atenção do poder público para as demandas da sociedade. Por isso, é importante manter as atitudes e levar os problemas aos interessados”, avalia o especialista em segurança pública, Antônio Flávio Testa. Para ele, mais importante do que levantar bandeiras e fazer barulho, é planejar os passos a serem dados. 
“Quando você se organiza, junta forças e leva a demanda adiante, mostra a seriedade e o compromisso com o que está sendo feito. Por isso, essas pequenas mobilizações são extremamente importantes. Elas mostram o poder de transformação dos cidadãos”, aponta. 
 
Pedido de reforço ao batalhão
 
Ainda em Taguatinga, o responsável por outra instituição privada de ensino, que também sofria com os constantes assaltos nos arredores, decidiu mudar o cenário. “Achamos um pouco escorregadio colocar agentes do lado de fora, no espaço público. Por isso, nossa primeira atitude foi fazer um abaixo-assinado convocando reforço do Batalhão Escolar. Isso aconteceu devido a uma série de roubos do lado de fora. É uma coisa que assusta”, conta o diretor administrativo do local, João Antônio. 
Por telefone, a mãe de um aluno do colégio conta os momentos de pânico que sofreu a alguns passos  da instituição. “Eu havia acabado de pegar meus três filhos na escola. Quando abri a porta do carro, dois homens me abordaram. Eles estavam armados e eram extremamente agressivos. O medo que senti é algo inexplicável. Fiquei muito revoltada no dia. Por isso, fiz questão de assinar o ofício enviado ao Batalhão Escolar. Não dá pra gente ser refém de uma ação assim e continuar levando a vida como se nada tivesse acontecido”, ressalta. 
Resultados
Uma dessas escolas ainda enviou circular aos pais dos alunos, dando dicas de segurança para os momentos de entrada e saída da escola, como aguardar o filho fora do carro e evitar que eles levem  para o colégio aparelhos eletrônicos de maior valor. 
De acordo com os responsáveis pelas duas escolas, o ofício enviado teve resultados positivos. Nos dois casos, o Batalhão Escolar vem reforçando a ronda. “A gente observa que eles começaram a passar mais por aqui. Acho que nosso resultado maior é esse. É ver que a mobilização da comunidade pode, sim, chamar atenção do poder público”, salienta a assessora Gabrielle Garcia. 
 
Dicas da escola aos pais

Nos momentos de saída, aguardem seus filhos fora de seus veículos e, de preferência, dentro das dependências do colégio.
Ao sair do colégio, verifique  se há pessoas em atitudes suspeitas próximas ao seu veículo. Caso positivo, informe ao porteiro e aguarde dentro do colégio. Caso permaneçam no local em atitude suspeita, por favor, solicitem uma ligação para o Batalhão Escolar.
Ao sair a pé, tenha o mesmo cuidado, retornando ao colégio assim que verificar pessoas em atitude suspeita. 
Se forem abordados, não reajam.
É prudente que os estudantes evitem levar para o colégio aparelhos eletrônicos de maior valor, tais como celulares e tablets. Caso levem, evitem circular pelas ruas.
 
Assaltos no Plano Piloto

No Plano Piloto, o Sindicato de Clubes (SindLazer) decidiu tomar uma atitude contra os recorrentes roubos a carros nos estacionamentos dos clubes. Hoje, uma reunião, às 10h30, no Iate, é o primeiro passo para discutir e promover ações de segurança. “Como o estacionamento interno não comporta, os veículos ficam fora dos clubes em dias de festas, por exemplo. E a gente tem registrado várias reclamações de arrombamentos. Decidimos dar um basta nisso”, explica o presidente da entidade, Claudionor Pedro dos Santos. 
Para ele,  a reunião deve resultar em dados estatísticos que podem ajudar a polícia a combater e prevenir os roubos no Setor de Clubes. “O que a gente quer é mais segurança nesses locais, mais controle. Não digo, claro, que isso já esteja sendo feito. Mas precisamos de mais policiamento ostensivo. Portanto, devemos redigir um ofício que propõe exatamente isso, mais rotatividade de viaturas policiais no Setor de Clubes. Inibir a ação dos bandidos é o mais importante”, diz. 
Parquinho
Conforme mostrou reportagem do JBr. de ontem, está marcada para hoje, às 10h, uma mobilização na 307 Sul devido aos recorrentes assaltos a babás no parquinho da quadra. A ideia é discutir o que pode ser feito para minimizar o problema, como contratar uma vigilância comunitária. 
 
Saiba Mais
No caso dos moradores da quadra 307 Sul, uma faixa foi colocada na entrada da quadra, com forma de fazer um apelo por mais segurança. Na faixa, Leandro Coelho, idealizador da ação, diz que “em 10 dias, babás foram assaltadas no parquinho e o bloco E foi invadido” e convoca os moradores para uma reunião para discutir o tema.

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