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Brasília

Busca incessante por corpo perfeito esconde riscos

Arquivo Geral

22/02/2015 7h30

Não existem milagres quando o assunto é a busca pela perfeição estética. Para especialistas, o segredo não é oculto. Alimentação balanceada associada a atividades físicas é a equação certa para alcançar as medidas consideradas perfeitas e buscadas por homens e mulheres. No entanto, algumas novidades podem fazer com que o objetivo seja alcançado com menos suor e mais rapidez. Os métodos, porém, são rodeados por polêmicas. 

Casos recentes de complicações geradas pelo uso indevido de substâncias acendem o sinal vermelho para quem deseja, a qualquer custo, alcançar os padrões de beleza e as medidas consideradas ideais que, geralmente, são alimentadas e incentivadas pela televisão. 

Neste mês, uma jovem carioca teve de ser internada com infecção provocada pela injeção de metacril para aumentar o bumbum. No fim do ano passado, a modelo gaúcha Andressa Urach ficou entre a vida e a morte após ter complicações por uso de hidrogel. 

Faltam estudos

Rosângela Santini, presidente regional da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, esclarece que “não é recomendado o uso de hidrogel ou metacril em procedimentos estéticos ainda que a Anvisa admita sua utilização até certo limite”. Segundo ela, os produtos têm estudos científicos inconclusivos e devem ser usados apenas para reparação. 

O ambulante Jarbas Marques, 47, também é um que se arrepende de algumas decisões em prol da beleza. Aos 19 anos, foi incentivado pelos amigos a aplicar silicone industrial nas mamas para parecer mais forte. Os problemas começaram depois de 15 anos. 

Já foram cinco cirurgias e apenas uma das mamas conseguiu ser limpa. “O outro lado estourou e se espalhou pelo corpo. Desde então, faço tratamento para retirar e sofro, Tenho dores e muita febre”, diz. 

Tonifica glúteos, mas sem  milagre

No Distrito Federal, o mais novo procedimento queridinho de homens e mulheres chama-se gluteoterapia ou “pump” (bombear, em inglês). Na clínica do dermaticista funcional e estudante de Biomedicina Henrique Santos aproximadamente cem pessoas fazem o tratamento que promete tonificar os glúteos. “Mas não faz milagre”, alerta Santos. “O tratamento não aumenta o bumbum, apenas o levanta. E isso dá a impressão de que ele está maior”, explica o profissional.  
 
A esteticista Eliane Flauzino acrescenta que diversas técnicas devem ser associadas para que o resultado seja satisfatório, inclusive atividades físicas. Ela passou por um curso em agosto do ano passado e já atende a pelo menos três pacientes por dia. 
 
“Antes do procedimento, faço uma massagem modeladora, com técnica de levantar o bumbum e diminuir celulite. O aparelho fica por 30 minutos em processo de contração e relaxamento, mas não acaba por aí. Ainda colocamos a corrente russa (aparelho de tonificação muscular) e radiofrequência (para tonificação e produção de colágeno)”, conta. 
 
Henrique Santos explica que o uso das ventosas, que são acopladas ao glúteo, estimula o tecido da região, promovendo a circulação sanguínea, quebrando as células da celulite e modelando aquela parte do corpo. O tratamento completo é composto por até dez sessões, que podem variar de R$ 600 a R$ 2 mil. Associado a exercícios físicos, os profissionais garantem que o resultado pode permanecer por até um ano sem necessidade de manutenção ou flacidez. 

Resultado

Empresária, Luciene Oliveira, 38 anos, já fez três sessões do tratamento, que diz ser semelhante ao que já havia se submetido há pouco mais de dois anos. “Fiz para viajar e gostei muito. Em mim, ficou uns três meses modelada, durinha e esticada”, lembra. Ao voltar de viagem, a clínica não fazia mais o procedimento. “Agora que encontrei de novo, voltei a fazer”, alerta.
 
Ela diz que o procedimento não causa dor: “O equipamento suga aos poucos e faz pressão. Depois, fica um pouco
vermelho por meia hora e passa. Se funciona, faço sem nem pensar no dinheiro”, diz, mas entende que não há milagres. 
 
Exercício físico e dieta são mais eficazes
 
Para Nelson Rosas Filho, diretor-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Estética,  “o aumento de glúteo ocorre com exercícios físicos, estimulação e dieta. Em último caso, o paciente deve procurar um cirurgião plástico para colocar prótese ou fazer os procedimentos cirúrgicos”. 
 
“Não tem fórmula milagrosa, nem vara de condão. Se quer um glúteo perfeito, vai à academia, coloca prótese glútea e enxerto de gordura. Procedimentos ditos milagrosos não existem”, alerta Rosângela Santini, presidente regional da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).
 
 A especialista destaca que existem profissionais que estão em busca de vender ilusões e obter lucro fácil. Por isso, “é preciso pesquisar bem antes de se submeter a procedimentos estéticos. Tem que ver se o profissional é certificado”. 
 
Sem mistério
 
Na opinião do educador físico Adriano Lira, o caminho para alcançar o corpo desejado não conta com mistério. “Infelizmente, não existe segredo. É preciso conciliar a rotina de atividades físicas com uma dieta bem balanceada com um profissional”, declara.
 
 Em até três meses, afirma o educador, é possível perceber diferença significativa da estrutura corporal de toda a parte inferior e não apenas do glúteo. “É lento, mas é mais seguro e eficiente”, finaliza. 
 
Ana Carolina Puga, presidente-fundadora da Sociedade Brasileira de Biomedicina Estética explica que a ventosa é de uso comum na acupuntura para melhorar circulação. “Dizem os clínicos que pode ajudar na flacidez, mas meu conhecimento de sucção leva a crer que ocorre o contrário: dependendo de como é usada, pode causar flacidez”, observa a especialista. De acordo com ela, não existe comprovação científica que funcione. 
 
Gastos podem ser altos
 
Aos 32 anos, a empresária Katiúscia Rodrigues se diz fissurada em estética. Depois da separação, há um ano, revela que sentiu a necessidade de levantar a autoestima. Colocou aplique nos cabelos e aparelho ortodôntico, fez sobrancelha definitiva e investiu R$ 23 mil em prótese de silicone e abdominoplastia.
 
 “Senti segurança e já coloquei o silicone no primeiro médico. Estou satisfeita com a barriga chapada, mas vou ter que fazer uma reparação porque meu seio ficou caído”, lamenta. 
 
Aviso tardio
 
Depois de cinco meses de cirurgia, o médico teria avisado à Katiúscia que a pele dela seria “ruim”. “Minha intenção não era ter peitão, mas que fosse em pé. Agora tenho um peito grande e caído. O doutor poderia ter falado desde o início que minha pele não tinha tanta sustentação e indicar outra prótese. Fiquei frustrada”, reclama. Agora,  de acordo com ela, serão mais R$ 5 mil para o reparo. 
 
Os planos para alcançar a aparência desejada não param por aí. Katiúscia relata que planeja aplicar botox ainda neste ano e já fez a primeira sessão de gluteoterapia. “Ainda não vi diferença, mas o tratamento não incomoda. Vou combinar o procedimento com a academia”, planeja. 
 
Riscos
 
Rosângela Santini, presidente regional da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), alerta para a falta de comprovação científica do procedimento. “Aparentemente, falta drenagem do sangue. Vai ficar alguns dias com o bumbum inchado, mas corre o risco de voltar ao que era. Tudo o que não tem comprovação científica é perigoso”, alerta a cirurgiã. 
 
 

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