Um buraco de aproximadamente dois metros de profundidade, aberto há mais de três anos, no meio da rua. Parece brincadeira, mas é a realidade dos moradores da Quadra 24 do Gama Oeste, na área conhecida como Vila Roriz. Crianças, idosos e até um homem cego já se acidentaram no local. Para evitar transtornos, a comunidade improvisou uma espécie de sinalização para o lugar, com um pedaço de madeira e um pneu.
Segundo moradores, o buraco é, na verdade, um bueiro. Ele dá acesso à galeria de águas pluviais. “Quando chovia, o bueiro enchia de água e a tampa levantava. Em uma dessas, soltou e alguém acabou roubando”, conta Mauricéia Pessoa da Silva, 73 anos, moradora do Gama há 38 anos.
A situação do asfalto da quadra também não é nada boa. Várias partes estão se soltando e há buracos menores por toda parte. “As ruas viram verdadeiros rios quando chove. É muito lixo, a água não escoa e o asfalto acaba não suportando e se desfaz. As pessoas reclamam do excesso de lixo, mas também precisam ajudar”, observa Mauricéia.
Além disso, de acordo com a dona de casa, as operações tapa-buraco passam pelas avenidas principais, mas não nas entrequadras. Todos os moradores pagam Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e se sentem lesados com tamanho descaso.
Soluções
Procurada, a Administração Regional do Gama informou que já tinha conhecimento da situação na área. Porém, a assessoria explicou que “a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) precisa seguir a ordem dos chamados para as operações tapa buraco”. De acordo com a regional, o programa Asfalto Novo, do GDF, também já circula pela região. “Primeiro pelas avenidas principais, depois pelas entrequadras”.
Sobre o bueiro destampado, o diretor de Obras Rocklane Fonseca disse que uma equipe iria colocar uma tampa no local na tarde de ontem. Segundo moradores, de fato, foi colocada uma tampa de concreto. “Também vamos requisitar um caminhão tapa-buracos para realizar os reparos necessários na pista até amanhã (hoje)”, garantiu.
Acidente com idoso
Valdemar Alves, 66 anos, precisou fazer uma cirurgia para remover um dos olhos e é cego do outro em função de um glaucoma. O aposentado, que mora em frente ao buraco, conta que no último dia 12 estava passando pelo local e acabou tropeçando e caindo no bueiro. Até o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado. “Um policial viu de longe e correu para me socorrer. Quebrei o braço (ele continua com o gesso), machuquei as costas, a cabeça e um dedo do pé”, conta.
Uma égua na rua também incomoda
Como se não bastassem os problemas estruturais, uma égua, que sempre fica amarrada e pastando em uma área verde da quadra, está dando o que falar. “O cheiro aqui é insuportável, quando venta ninguém consegue sair no portão”, reclama uma moradora que preferiu não se identificar. O dono do animal, que também mora na rua, disse que é carroceiro e que a égua só fica lá durante o dia (a noite vai para uma chácara) para que ele possa trabalhar.
Em relação ao animal, o chefe da Comunicação da Administração Regional do Gama, Júlio Guilherme Franco, pontuou que, se ele for mesmo utilizado por um carroceiro, o profissional precisa estar cadastrado junto à administração, ou estará em situação irregular. Estando sem cadastro e em área pública, o animal pode ser recolhido e o proprietário multado.
Formalização
Para que a administração entre em contato com os órgãos responsáveis, os moradores precisam registrar reclamações na regional ou pela ouvidoria (3484-9915). Segundo o órgão, é importante que o reclamante tenha fotos e, se possível, reúna outras provas. Após aberta a ocorrência é gerado um número de protocolo e o morador pode acompanhar a demanda.
A população também pode requisitar serviços como poda e limpeza de bueiros no site www.novacap.df.gov.br ou pelo número 156.