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Brasília

Bufê se solidariza e oferece serviço para clientes prejudicados com fechamento de casa de festas infantis

Arquivo Geral

09/01/2017 20h07

Atualizada 12/01/2017 19h38

Foto: Reprodução/Facebook

Rosana Jesus
rosana.jesus@jornaldebrasilia.com.br

Em solidariedade aos clientes que foram prejudicados com o fechamento da casa de festas “Jump Joy”, localizada na 512 Sul, na semana passada, o bufê “Gastronomia Em Sua Porta” decidiu ajudar e prestar serviços gratuitos às pessoas que foram lesadas com o ocorrido. Cerca de 44 pessoas tiveram prejuízo. A gastrônoma e proprietária do bufê, Isabela Diniz, de 26 anos, se colocou à disposição para fazer os doces para as novas festinhas.

“Não vejo problema em dar uma força para essas famílias, sou mãe de dois filhos e entendo o que é ter o sonho de um deles interrompido”, diz a gastrônoma. Ela acrescenta ainda que se sentiu comovida. “Quando fiquei sabendo o que aconteceu fiquei chocada. Somos humanos e precisamos um do outro o tempo inteiro, temos que ajudar”, completa.

Ela destaca que as demandas serão atendidas por ordem de chegada. “Vamos atender na medida em que elas entrarem em contato com a gente, iremos analisar nossa agenda e informar o dia que podemos atender”, informa Isabela. “Espero que, dessa maneira, possamos diminuir a frustração das famílias.”

Isabela é formada em gastronomia há sete anos e atende os clientes apenas pelas redes sociais. A moradora de Vicente Pires trabalha com confeitaria desde 2007. “Comecei nesse ramo quando ainda estava na faculdade, de lá para cá não parei mais, é o que eu gosto de fazer”, finaliza.

Entenda

A casa de festas Jump Joy declarou falência por meio de uma nota enviada para alguns clientes no último dia 3 de janeiro. De acordo com o proprietário, Marcus Daniel, a empresa estaria passando por uma crise financeira, mas os clientes seriam ressarcidos posteriormente. Desde então, consumidores se reuniram em um grupo no whatsapp e acionaram a Justiça.

Os clientes que foram prejudicados reclamam da falta de aviso prévio da empresa. “Tive que contratar outra casa de festa em cima da hora. Será um evento inferior, mas, no momento, é o que podemos pagar”, conta a servidora pública Carla Lopes, que disse ter tido um prejuízo de mais de R$ 6 mil. Ela acrescenta que as empresas que procuraram para os novos serviços ajudaram. “Elas oferecem descontos porque sabem que fomos prejudicados.”

As vítimas vão além dos clientes, como é o caso do bufê Doce Talento. “Estávamos trabalhando exclusivamente só para a Jump Joy há três meses. Ficamos de entregar quatro encomendas por semana. Até o novembro ele pagou direito, já em dezembro não”, afirma a proprietária, Beatriz Mendes, de 23 anos. A empresária revela que teve uma perda de R$ 12 mil. “A gente recebia o pagamento em período quinzenal, depois ele sumiu”, acrescenta.

Beatriz destaca que combinou de receber o valor acertado várias vezes. “Marcamos alguns dias com Marcos Daniel, mas ele sempre furava. Depois, combinamos que ele faria o depósito na minha conta, mas não fez”. Ela contou que ficou sabendo da suposta falência por uma mensagem enviada pela gerente da Jump Joy, no último dia 4. “É uma despesa a mais, principalmente porque ficamos impossibilitados de fechar contrato com outros clientes e estávamos dependendo apenas deles”, lamenta.

No e-mail enviado para os clientes, a Jump Joy marcou uma reunião no dia 31 de janeiro. O Jornal de Brasília tentou entrar em contato com a empresa, mas os telefones não atendem e o e-mail retorna para a caixa de entrada.

Empresa marcou reunião com clientes no dia 31 de janeiro |Foto: Reprodução

Empresa marcou reunião com clientes no dia 31 de janeiro |Foto: Reprodução

Alerta

O advogado Francisco Wellington Santos Ramos faz um alerta para esse tipo de situação. “Essa é uma relação de consumo e está voltada para o direito do consumidor. As pessoas que se sentirem lesadas devem buscar o judiciário”, informa o especialista em causas familiares e direito do consumidor.

Ele ressalta que para amenizar esse tipo incidência o contratante deve tomar algumas precauções. “Usar cheques, pagar o serviço parcelado ou dividir o valor para antes e depois do evento pode ser uma medida a se tomar”, indica Ramos. “Pagar à vista não é muito recomendado, uma vez que não é possível prever se algo desse tipo vai acontecer”. Ele ainda orienta o cliente a exigir um contrato da empresa. “Se acontecer algum imprevisto, ele vai precisar.”

Leia a íntegra do e-mail enviado pela Jump Joy:

Lamentamos informar a Vossa Senhoria que a nossa empresa se encontra, nesta fase, impossibilitada de prestar os serviços contratados, para realização do evento, em virtude de ocorrências alheias à nossa vontade.

Inobstante, e sem outras alternativas, informamos o infortúnio aos contratantes e, da impossibilidade, nesse momento, de ressarcir os prejuízos que eventualmente possam decorrer da falta dos serviços contratados.

Contudo, dentre em breve iremos oferecer proposta para compensar os percalços decorrentes dessa situação, excedendo os limites necessários e preciso para compensação dos mesmos.

Por essa razão, e com pesar, que comunica a Vossa Senhoria do cancelamento de todos os eventos agendados e confirmados, e, ainda, aproveita para convocar os contratantes com escopo de esclarecer e transparecer a real situação da empresa, propondo amigavelmente proposta de acordo para sanar os prejuízos suportados.

Sendo aqueles que não possam comparecer, gentileza informar, mas sem quaisquer prejuízos, apresentaremos minuta de acordo, em data oportuna. Portanto, agendaremos para realização da reunião, para o dia 31 de janeiro. 

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