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Brasília

Brutos: um super-herói que atua no combate ao crime

Arquivo Geral

16/03/2015 6h00

Brutos ajudou a colocar muitos traficantes e assaltantes na cadeia. O pastor alemão de seis anos, um dos mais experientes cachorros da Polícia Militar, é especialista em identificar drogas e armas escondidas por criminosos nos mais inusitados locais. O animal integra um time formado por 56 cães do Batalhão de Policiamento com Cães (BPCães) — unidade da corporação situada no Setor Policial Sul.

Considerado veterano, Brutos participou de várias missões, e em menos de dois anos deve se aposentar. Os cães da tropa deixam de ser empregados em operações, em média, aos oito anos. “Não significa que ele está cansado e inválido, mas consideramos que eles devem se aposentar com saúde e disposição”, explica o chefe da seção operacional do batalhão, tenente André Hideki.

Fundamentais em ações policiais, os cachorros da PM são capazes de substituir até 20 policiais na procura por suspeitos, armas e substâncias ilícitas, graças ao olfato 40% superior ao do homem. “Dificilmente o policial consegue encontrar uma pequena porção de maconha escondida dentro da porta de um veículo”, compara Hideki. 

Os animais são estimulados antes do nascimento. Adestradores do batalhão fazem massagem na barriga da cadela prenha para aguçar os sentidos dos filhotes. Após um período de convivência com a mãe e com outros cães, eles iniciam o treinamento — atravessar rios, correr sobre pisos irregulares e se familiarizar com sons de bombas, tiros, carros, helicópteros.

Um vale por 20 homens

No Corpo de Bombeiros, os cachorros são utilizados principalmente para auxiliar nas atividades de busca por desaparecidos em bosques ou desabamentos. “Durante uma procura na mata, por exemplo, o trabalho feito em 30 minutos por um cão equivale ao mesmo serviço realizado durante uma hora por 20 homens”, compara o sargento Elias Souza.

O canil do Corpo de Bombeiros do DF funciona desde 1992 no Grupamento de Buscas e Salvamento, localizado no Setor de Clubes Norte. Ali, os animais, considerados verdadeiros colegas de trabalho dos militares, recebem treinamento intensivo — aprendizado de comandos, simulações em escombros e natação —, além de atividades ao ar livre. “A partir dos 45 dias, começamos a aplicar os primeiros exercícios com o filhote.

O adestramento completo dura aproximadamente um ano. A partir daí, ele está apto para iniciar os trabalhos ao lado de um militar”, diz o sargento, lembrando que, apesar da importância da função exercida pelo animal, tudo é considerado uma grande brincadeira pelo farejador.

Saiba mais

Os policiais identificam as principais qualidades de cada animal durante os exercícios. Os de detecção são usados para encontrar entorpecentes, armas e explosivos. Devem ter bom preparo físico e perseverança.

Os cães de captura, mais robustos e de temperamento forte, auxiliam na detenção e na imobilização de bandidos. 

O trabalho dos 96 policiais que integram o batalhão é reconhecido internacionalmente. No ano passado, oficiais e praças da unidade ministraram cursos na Associação Canadense de Explosivos. 

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