Tainá Morais
redacao@grupojbr.com
Agosto mal começou e a seca castiga os brasilienses, que sofrem com a baixa umidade do ar. Não chove no Distrito Federal há 79 dias, mas, apesar do tempo quente e seco, há a esperança de que isso mude nesta semana.”O tempo continua com predomínio nublado, porém, a maior possibilidade de chuva é para a quinta-feira”, afirma o meteorologista Mamedes Melo, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
A temperatura deve variar de 13 ºC a 32 ºC até quinta-feira (6). Já a umidade do ar pode chegar a 25%. Segundo Melo, uma frente fria que vem do Sudeste e passa pelo Sul de Goiás faz com que o tempo fique nublado e com aspecto chuvoso. “A tendência é que se aproxime ainda mais”, antecipa.
Ele ressalta que a chuva é apenas uma possibilidade. Mas, como diz o ditado, “a esperança é a última que morre”.
Efeitos na saúde
“Espero que chova bastante, devemos pensar positivo, porque está complicado até para trabalhar”, afirma o enfermeiro Fernando Guilherme. Ele se mudou do Espírito Santo para Brasília há quatro meses e sofre de renite alérgica e asma. O pouco tempo em que está na capital foi o suficiente para sentir a mudança climática.
“A primeira coisa que senti falta foi da umidade. Sinto fortes dores na narina, no rosto e na cabeça, além de ressacamento nos lábios. Está sendo impossível ficar em Brasília desse jeito”, reclama o enfermeiro.

Fernando Guilherme, recém chegado na capital, diz que a falta de umidade no ar prejudica sua respiração. Gama. Rayra Paiva Franco/Jornal de Brasília.
Cidade em alerta
A Defesa Civil informou que o Distrito Federal está em estado de alerta. Portanto, é necessário que a população se previna e que tome cuidados, principalmente crianças e idosos.
“As crianças estão com o organismo em formação, enquanto os idosos são mais sensíveis a mudanças bruscas de ambiente. No entanto, o mal-estar causado pela baixa umidade pode ocorrer com pessoas de qualquer faixa etária”, explica o tenente-coronel Sinfrônio Lopes, coordenador de operações da Defesa Civil.
Para aqueles que costumam praticar atividades físicas, é recomendável evitá-las entre 14h e 16h. “Nesse horário o sol está mais forte”, reforça.
A escolas também estão em alerta por conta da baixa umidade. A Escola Classe 5 de Taguatinga Sul, por exemplo, suspende as aulas práticas de Educação Física quando se percebe que a temperatura e a baixa umidade podem prejudicar os alunos. “Evitamos a exposição dos alunos ao sol e eles acabam fazendo atividades em sala”, explicou a diretora Josália Miquett.

Foto: Rayra Paiva Franco/Jornal de Brasília.
Confira as medidas recomendadas durante a seca:
– Aumentar a ingestão diária de líquidos (água, água de coco) independentemente de apresentar sede (beber pelo menos 6 copos de água de tamanho médio);
– Evitar os banhos prolongados com água quente e o uso excessivo de sabonete, para não eliminar totalmente a oleosidade natural da pele;
– Pingar duas gotas de soro fisiológico em cada narina, pelo menos 6 vezes ao dia. Este procedimento evita o ressecamento nasal, diminuindo a ocorrência de sangramento;
– Evitar o uso de aparelhos de ar-condicionado, pois eles retiram ainda mais a umidade do ambiente;
– Trajar roupas adequadas às condições do tempo. Usar roupas leves e claras, e se possível de algodão;
– Fazer refeições leves, incluindo frutas e verduras sempre que possível;
– Evitar exercícios físicos e atividades que atinjam grande esforço no período das 10h às 16h, ao ar livre. Neste período, a insolação e evaporação atingem seus índices máximos;
– Usar protetor solar, creme hidratante ou óleo vegetal em abundância para evitar o ressecamento da pele;
– Optar pelo uso de sombrinha ou guarda-chuva no período mais quente;
– Sempre que possível, permanecer em locais protegidos do sol em áreas com vegetação;
– Recomendar a suspensão de atividades que exijam aglomerações de pessoas em ambientes fechados, entre 10 e 16 horas;
– Usar umidificador, ou colocar toalhas molhadas e bacias com água nos quartos durante todo o dia. Isso ajuda a manter o ambiente úmido;

Foto: Rayra Paiva Franco/Jornal de Brasília.
Queda nos reservatórios
Sem chuva há meses, os níveis dos principais reservatórios do DF começaram a registrar queda nos últimos dias. Há um mês, exatamente, a barragem do Descoberto marcava 89,2 %. Já nesta segunda-feira (6) a bacia estava com 81,6% da capacidade. Já o reservatório de Santa Maria está com 57,8%, ante os 59,9% do mês passado.
Segundo a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa), os moradores do DF podem ficar despreocupados. Mesmo com a redução, os níveis estão dentro do previsto. Não há planos de voltar a haver racionamento de água.
Em nota a Secretaria de Meio Ambiente informou que o DF corre mais risco de queimadas nesse período de seca, pois a baixa umidade do ar ocasiona o aumento de material combustível, como capins, arbustos, árvores, restos de poda secos. Para evitar incêndios o GDF realizou aceiros em vários pontos do DF, assim evita-se a propagação de possível fogo na vegetação.
A população pode auxiliar evitando jogar bituca de cigarro aceso áreas com vegetação e não queimar lixo e poda de árvores que são atividades proibidas