Kamila Farias
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Prestes a fazer 52 anos, o Distrito Federal está a caminho de alterar sua história. Com 48,7% da população nascida no próprio DF, segundo a Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), os brasilienses já estão próximos de chamarem a cidade de sua. Das 25 regiões administrativas, de um total de 30 já estudadas pela companhia, o maior índice de pessoas da terra está em Brazlândia, onde 56,2% são nascidos no DF.
De acordo com a presidente da Codeplan, Ivelise Longhi, a cultura de uma cidade está ligada às pessoas que nela vivem. “A característica de Brasília é dada pela mistura das culturas que se tem aqui. É isso que dá uma riqueza maior. Não existe uma identidade a ser formada, Brasília já tem uma. É uma região que deu certo e temos que ter orgulho de participar de sua construção”, observa.
Apesar de definir a mistura como uma das características da capital, Ivelise Longhi afirma que quem nasce em Brasília tem um carinho diferenciado pela região. “Muita gente que vem de fora tem a ideia da cidade que residia anteriormente e quer dar a Brasília o mesmo carinho. E quem nasce aqui, já vê a cidade de uma forma diferente, da forma como ela é, e consegue oferecer cuidado e carinho diferenciado. Mesmo assim, as pessoas já estão se acostumando a viver da forma que Brasília pede”, diz.
Para ela, aos 52 anos, a capital já está consolidada e deve manter os índices de qualidade de vida. “Por mais que se tenha críticas, é uma capital em que o bem tombado está preservado. As cidades do DF estão bem acima das demais do Brasil em infraestrutura. Mas ainda temos que trabalhar a disparidade”, afirma.
De acordo com o pesquisador associado do Departamento de Geografia da Universidade de Brasília (UnB), Aldo Paviani, a migração no DF diminuiu, mas a cidade está se tornando uma metrópole bem complexa.
“Não tem como ter uma migração igual a dos anos 60. Já faz algum tempo que esse número é bem menor. Mesmo assim, Brasília tem características de metrópole, pois o sistema de saúde, por exemplo, já sobrecarregou. As estruturas ainda têm muito que ser melhoradas”, afirma.
De acordo com Aldo Paviani, a cidade tem crescido e, junto com ela, o desemprego, já que não existem opções de trabalho nas regiões administrativas e o Plano Piloto estar saturado. “Tem que descentralizar os postos de trabalho. No Plano já não tem mais, e nas demais cidades do DF não há opção”, conta.
Segundo o professor, apesar das melhorias que ainda devem acontecer, é a diferença entre as pessoas que tem dado certo. “Brasília tem uma variação de sotaques. É uma mistura de nordestinos, com mineiros e goianos. E isso ocorre na área cultural também. As adaptações da identidade do DF têm surgindo devido à convivência entre as pessoas”, afirma.
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