Na década de 1930, Adolf Hitler, então chanceler da Alemanha, pediu a seus engenheiros que fosse criado um “carro do povo”. O veículo deveria ser veloz e ser econômico. O resultado foi o Volkswagen, primeiro modelo do que hoje conhecemos como o Fusca, criado por Ferdinand Porsche.
O automóvel se tornou tão especial que, no Brasil, existem duas datas festivas para o “fusquinha”. Em 22 de junho é o Dia Mundial e, no último dia 20, o Dia Nacional do Fusca. Para reunir colecionadores e entusiastas do tradicional veículo, o Veteran Car Brasília promoveu o festejo ontem, no Museu Vivo da Memória Candanga, no Núcleo Bandeirante.
Uma das principais atrações era o fusca de José Pereira Filho, 61 anos, diretor da faculdade de tecnologia do UniCeub. O carro do seu Pereira é o primeiro exemplar produzido no Brasil, vendido em 3 de janeiro de 1959. Ele comprou de um colecionador há 15 anos e desde então a raridade se tornou um xodó.
“Já rejeitei mais de R$ 100 mil por esse carro. Não vendo de jeito nenhum”, diz, acariciando o veículo. “Sou apaixonado por carros da Volks. Tenho mais de 20 modelos”, confessa, sorridente. Pereira dirige pouco seu Fusca especial e roda, no máximo, 500 quilômetros por ano com ele, o que ajuda a baratear a manutenção.
O Fusca de seu Pereira tem a placa preta, que identifica o automóvel como de colecionador. Para obter tal acessório, é preciso estar filiado a um clube e passar por vistoria da Federação Brasileira de Carros Antigos, que só concede o benefício se 95% das peças forem originais.
Criatividade e estilo não faltam
O tatuador Alex Takahashi, 48 anos, comprou seu Fusca em Campinas há cerca de um ano e meio. Ele escolheu um exemplar que já estava bastante modificado, o que facilitou seu trabalho de “tunagem”. “Quando adquiri, já estava no nível de customização que eu queria”, explica.
“Eu mexi com o sistema de som, adesivei, mudei as rodas, limpei o motor e adicionei essa pintura preta fosca”, detalha Alex. O carro ficou estiloso e chamativo. Não à toa, várias pessoas da exposição paravam ao lado do Fusca do tatuador para tirar fotos ou simplesmente contemplar o resultado do trabalho.
Ele conta que, apesar de não ser um colecionador, tem carinho especial pelo modelo. “Aprendi a dirigir em um Fusca, além de ser um carro que, com muito pouca modificação, já fica bastante personalizado. Ao mesmo tempo, ele não perde os traços que fazem todos reconhecê-lo”, enaltece.
Fabricação
Um dos admiradores ilustres foi o presidente Itamar Franco, que, por sua paixão pelo carro, reativou a produção nacional em 1993, após um período de estagnação da indústria automobilística. A fabricação seguiu por três anos. As homenagens, porém, estão aí para nos lembrar desse pedaço de história ambulante.
Curiosidades
A primeira fábrica da Volkswagen fora da Alemanha foi instalada em São Bernardo do Campo, na região ABC Paulista, em 1959. Até a produção cessar pela primeira vez, em 1986, foram vendidas mais de 3 milhões de unidades do veículo.
Antes disso o carro já era fabricado no Brasil desde 1953 em fábricas daqui, mas com peças importadas. Modelos antigos do Fusca, quando ainda era chamado somente de VW Sedan, porém, já circulavam no Brasil desde 1950, trazidos diretamente da Europa. Havia apenas 30 exemplares disponíveis.
Dos 27 anos em que foi produzido no Brasil, o Fusca foi o carro que mais vendeu nacionalmente durante 24 anos.