A paralisação dos rodoviários chega ao segundo dia custando caro para os passageiros e para o comércio. Richeline Lúcia Silva, empregada doméstica, contou que uma amiga sua gastou R$ 14 para ir ao trabalho. Ela revelou que a amiga, também empregada doméstica, mora em São Sebastião e trabalha na Asa Norte. Por conta da greve, teve que utilizar dois transportes piratas para chegar ao seu destino no Plano Piloto. Só a ida saiu por R$ 14. Silva não passa pelo mesmo problema que a amiga por ir e voltar do trabalho de carona com o marido.
Já no comércio, a situação é ainda mais complicada. De acordo com a Fecomércio as vendas caíram e já se fala em cortar o ponto de quem faltar. Em diversos estabelecimentos faltaram funcionários. Em uma das agências dos Correio da Asa Norte, o recado é enfático, o atendimento só retorna à normalidade após o fim da greve.
Trânsito parado e metrô lotado
De manhã cedo, a Polícia Militar fechou o trânsito na Estrutural sentido Plano Piloto. Nas estações do metrô, o fluxo de pessoas foi intenso, principalmente na estação da Praça do Relógio em Taguatinga, onde aglomera pessoas vindas de Ceilândia, Samambaia e Guará. Ao contrário dos terminais, as paradas do centro de Taguatinga estavam vazias.
Somente algumas pessoas se arriscavam em transportes piratas. As estações do metrô de Ceilândia também amanheceram abarrotadas. Os vagões já saíam lotados e por algumas vezes passavam direto pelo terminal de Taguatinga. Na primeira estação da cidade, a administração do metrô dividiu a passagen nas roletas em duas filas, uma para quem possuía cartão Fácil e outra para quem passava com o tíquete. Assim, também foi feito para compra nos guichês. As filas eram extensas e saíam do prédio.
Comitê para administrar crise
O governador do Distrito Federal, Rogério Rosso, anunciou a criação de um Comitê e Gestor de Transporte Governamental que está sendo montado para acompanhar todas as cooperativas. Além disso, o comitê ficaria responsável por estudar as planilhas de custos das empresas de transportes, enviadas ao governador. Por meio desses documentos, Rosso acredita chegar a uma conclusão quanto à reivindicação dos grevistas. Os rodoviários pedem reajuste de 20% enquanto os empresários lutam pelos 28% de aumento junto ao governo, esse acréscimo seria em razão do déficit obtido pelas empresas. O aumento da passagem de ônibus chegaria a quase R$1.
Assembleia pode decidir rumos da greve
Uma assembleia dos rodoviários está programada para às 17h desta terça-feira (22). O presidentre do Sindicato dos Rodoviários, João Osório, falou ao ClicaBrasília, que a categoria não deseja o aumento da tarifa. No entanto, ele aponta o crescimento da inflação e a desvalorização dos salários como fortes motivos para a reivindicação. “Acreditamos que o governo achará a melhor forma para essa questão”, acrescenta. Até o momento, nenhuma proposta havia chegado até o sindicato e tudo indica que a greve vai continuar.