Rayssa Tomaz
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Família de jovem brasiliense radicada nos Estados Unidos faz um apelo à presidente Dilma Rousseff para reavaliar sua expulsão da Marinha dos Estados Unidos. Graciela Falqueto Saraiva, 21 anos, alega ter sido desligada injustamente por uso de drogas após exame antidoping ter sinalizado uso de codeína, um dos princípios ativos do Tylenol. O Itamaraty diz não ser possível se envolver diretamente na questão porque Graciela é naturalizada norte-americana, mas o Senado se mobilizou, por meio da ação de Acir Gurgacz (PDT-RO).
A brasiliense sente que seu sonho de se tornar oficial da Marinha dos Estados Unidos está por um fio. A condecorada jovem serviu à corporação em missão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a bordo do navio da fragata americana USS Donald Cook, de 2008 a 2010, e foi expulsa após ter sido pega em um exame antidoping, sob acusação de uso abusivo de drogas.
A parte omitida da história é que a codeína, composto presente no exame de Graciela, é o princípio ativo de um remédio utilizado comumente para tratamento de dores, o Tylenol 3. O remédio foi receitado por um dentista de Maryland após a extração de dois sisos, no dia 8 de abril de 2010. Desconhecendo que o medicamento pós-operatório era também um narcótico, a paciente manteve a medicação sem comunicar a corporação.
O caso se complicou ainda mais após a Marinha ter enviado uma notificação para o endereço incorreto de Graciela, onde faltava o número do apartamento. Com o engano, ela perdeu o prazo – 9 de agosto – para entrar com a documentação, composta por uma carta e a prescrição dos remédios feita pelo dentista Kim Hunjin. “Não pude preparar a minha defesa porque já havia perdido o prazo. A notificação foi enviada para um endereço
errado, mesmo contendo em minha ficha todos os dados corretos”, explicou.
Protesto
“Com tantas pessoas querendo abandonar a vida militar, me parece injusto para alguém que legitimamente quer permanecer alistada ser expulsa com base em acusações que não se sustentam”, protesta Graciela. A jovem se diz orgulhosa de servir aos Estados Unidos e agradecida por todas as conquistas que conseguiu na Marinha, mas espera que a Justiça repare esse engano.”É difícil continuar mantendo esse sentimento quando o país comete tamanha injustiça com uma pessoa que sempre teve orgulho em servi-lo”, afirma.
“Isso é uma questão não apenas de justiça, mas de dignidade. Às vezes, pego a minha filha dentro do closet olhando para o uniforme da Marinha com água nos olhos, e me dói o coração”, relata indignado Samuel Saraiva, pai de Graciela.
Depois da expulsão da corporação americana, a brasiliense se reveza entre as aulas de Medicina, no Montgomery College, em Maryland, e o apoio da família e amigos. A irmã mais velha, Priscila, que assim como Graciela serve à Marinha no Estado da Virgínia, desde a expulsão liga todos os dias para conversar e da apoio a ela.
Leia íntegra desta matéria na edição deste domingo (6) do Jornal de Brasília