Fábio Magalhães
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Ter uma vida longa e poder desfrutar da melhor idade é o que deseja grande parte da população. Para muitos idosos, no entanto, o avançar dos anos e a chegada das limitações físicas os deixam mais susceptíveis às agressões e explorações e torna a velhice uma época de tormento e torturas. E os filhos são os principais agentes da violência.
Dados da Central Judicial do Idoso, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) e do Ministério Público do DF, apontam que, de janeiro a agosto deste ano, 261 idosos foram agredidos, das mais variadas formas. A violência psicológica prevaleceu entre a população de todas as regiões administrativas. O Plano Piloto, área nobre de Brasília, liderou o ranking deste tipo de agressão, com 17 casos. Logo em seguida, aparece o Guará, com 13, e Planaltina e Ceilândia, com 12 queixas cada, totalizando 120 vítimas de abuso psicológico.
No DF, oito tipos de violência costumam ser praticados contra os idosos. Este ano, apenas sete foram constatados e denunciadas principalmente por pessoas na faixa etária de 66 a 75 anos. De acordo com a supervisora da Central Judicial do Idoso, Roseli Sousa Costa, o grande entrave para a punição são os laços sanguíneos. “Esses pais acreditam que a violência é fruto de uma educação que eles não deram. Por isso não querem que o familiar seja punido”, explica.
A violência financeira, cuja predominância foi na região de Brasília, é o segundo tipo mais praticado. Já a violência física, com 57 casos, ficou em terceiro e está concentrada no Guará, Ceilândia e Brasília.
Uma outra forma de abuso é a violência institucional, praticada por órgãos de atendimento ao idoso quando existe a recusa em prestar algum atendimento ou fazê-lo de forma precária. Somente nesta modalidade, foram registrados 50 casos. O Recanto das Emas e a Ceilândia foram os campeões de prevalência dos casos de negligência. Ao todo, 45 vítimas desses lugares procuraram ajuda.
A pesquisa da central conseguiu também um perfil das vítimas. Conforme o levantamento, a maioria das pessoas que buscaram ajuda da Justiça é composta por mulheres, viúvas e que sofrem maus-tratos principalmente dos filhos do sexo masculino.
Por serem mais vulneráveis, as pessoas inclusas neste perfil podem desenvolver diversas patologias. De acordo com o psicólogo Aloizio Júnior, os maus-tratos são fatores que desencadeiam uma série de transtornos na saúde. “A violência pode induzir à depressão, transtornos de humor e ansiedade. Pode contribuir, também, para o agravamento do Alzheimer e Parkinson, dentre outras alterações”, explica.