O Brasil joga hoje a sua permanência na Copa do Mundo da Rússia em 90 minutos. Com quatro pontos, o time precisa, ao menos, do empate contra a Sérvia para se classificar às oitavas de final e continuar vivo na competição. Depois de 24 jogos no comando do Brasil, o técnico Tite tem o seu primeiro mata-mata antecipado. A partida pelo Grupo E, que começa às 15h, em Moscou, encerra a participação da seleção na fase de grupos. Só há dois caminhos: seguir na disputa ou voltar cedo para casa. Desde o Mundial de 1966, na Inglaterra, o país não cai nesta fase.
É, portanto, um jogo eliminatório. E talvez com sofrimento dada as apresentações das duas partidas anteriores de Neymar e companhia – 1 x 1 contra a Suíça e 2 x 0 na Costa Rica. O Brasil e os suíços têm quatro pontos cada. A Sérvia, três.
A possibilidade de o Brasil ser eliminado existe e Tite não ignora o fato de a Sérvia se transformar no seu novo Deportes Tolima – em 2011, o modesto clube da Colômbia eliminou o Corinthians que ele dirigia na fase preliminar da Libertadores. No entanto, ele está confiante e credita isso à evolução de rendimento que diz ter percebido do jogo contra a Suíça para a partida diante da Costa Rica.
Para assegurar o primeiro lugar na chave em caso de empate, Tite terá de contar com tropeço da Suíça para a Costa Rica ou se valer do saldo de gols caso os europeus ganhem da equipe centro-americana. Esse raciocínio vale também para o caso de os dois últimos jogos do Grupo E terminarem empatados. E, se a seleção perder, só se classifica se os costarriquenhos ganharem dos suíços por placar mais dilatado do que o tropeço brasileiro.
Matemática à parte, para Tite a equipe está preparada técnica e psicologicamente para este “mata-mata”. “Essa equipe está calejada suficiente para jogos importantes. Quando olho para trás e vejo toda a trajetória que nossa seleção fez, o momento que estivemos juntos, quando começamos a nos lembrar, me gera expectativa e confiança”.

Jornal de Brasília
Essa confiança o fez manter a equipe, mesmo depois de testar várias opções nos últimos treinos – como Fernandinho no lugar de Gabriel Jesus e o deslocamento de Neymar para o comando do ataque. O histórico dos jogadores sob o seu comando o levou a preservá-los, mesmo os que não estão em bom momento, como Willian e Paulinho.
“Olhe a trajetória do Willian e a do Paulinho. Olhe como eles foram consistentes e decisivos. Não posso desconsiderar isso”, explicou, voltando a chamar o meia do Chelsea de “foguetinho” por sua facilidade de partir em velocidade para cima dos marcadores. Ele lembrou também da atuação do volante nos 4 x 1 sobre o Uruguai pelas Eliminatórias, quando fez três gols em Montevidéu.
Capitão
O experiente zagueiro Miranda, de 33 anos, vestirá a braçadeira de capitão pela quarta vez com Tite. O treinador observa vários pontos positivos na Sérvia. O que mais incomoda é a força pelo alto, natural, até porque a equipe europeia tem média de altura 10 centímetros maior que a brasileira e, além disso, quatro dos seis gols tomados pela seleção desde que o técnico assumiu foram de cabeça.
“A Sérvia tem, sim, característica de bola aérea ofensiva”, reconheceu Tite. “Mas também a qualidade técnica individual, jogadores de alto nível também. Temos condição de neutralizar, evitar faltas laterais, encurtar ou bloquear. E uma altura maior vai perder alguma coisa, a vida é assim”, comentou Tite.
“A equipe deles é forte fisicamente. Se não me engano, a média de altura é de 1m88, vão jogar muito na bola parada”, previu Thiago Silva.
Tite defende camisa 10
Falando em terceira pessoa e sem ser perguntado, Tite contou em entrevista coletiva, ontem, que chorou na sua estreia no comando da seleção, contra o Equador, em setembro de 2016, fazendo referência ao choro de Neymar após a vitória contra a Costa Rica nos acréscimos, na semana passada.
O treinador, que confirmou a manutenção do time que enfrentou a Costa Rica para o confronto contra a Sérvia, também defendeu que foi pênalti no atacante, anulado pelo VAR, e avisou que não é dele a responsabilidade de tudo que acontece.
“Quero colocar para toda a nação brasileira. Estou em um posto, não sou… No primeiro jogo contra o Equador, o Tite chorou. O Tite chorou. Quando liguei para minha esposa, chorei de alegria, de satisfação, porque é nossa característica emocional. Chorei de prazer, de orgulho, de um momento de tanta pressão fazer um grande jogo. Tenho muito cuidado em fazer associações, só estou mostrando o outro lado. Entende que razão e emoção têm que estar equilibradas, e que há o momento do gelo, da calma, da lucidez”, disse o técnico.
Logo depois, Tite foi perguntado por um jornalista russo sobre um comentário do ex-jogador e técnico Fabio Capello, atualmente comentarista de uma televisão. Segundo o repórter, o italiano teria dito que Neymar é um simulador. “Capelo, de técnico para técnico, foi pênalti. O jogador segura o Neymar e o desequilibra”, disse o treinador, olhando fixamente para as câmeras dos cinegrafistas.
Saiba Mais
As atenções se voltaram nos últimos dias para Shaqiri e Xhaka, mas há outro suíço filho de imigrantes que merece atenção, hoje, às 15h, ante a Costa Rica. Filho de mãe chilena e pai espanhol, Ricardo Rodríguez nasceu em Zurique, onde começou a carreira. Já usou até bandeiras do Chile e da Espanha nas chuteiras em homenagem às origens. Só não jogou pelo Chile porque, segundo o próprio jogador, “ninguém chamou”.
De sangue latino, o camisa 13 é essencial na equipe que, com vitória ou empate em Nijni Novgorod, assegura a classificação.