“Se a pessoa sabe nadar e vem mergulhar aqui, a chamaríamos de corajosa. Não sabendo nadar e se arriscando na correnteza deste local, podemos dizer que é irresponsabilidade”. A afirmação é de um bombeiro. Ele se refere ao acidente no qual 33 homens estão mobilizados, além de cães farejadores, na Barragem do Rio Descoberto, próximo a Águas Lindas (GO). O local é muito procurado para a realização de batismos, assim como o que estava prestes a ocorrer quando o pastor Almir Marques de Carvalho, 52 anos, foi arrastado pela correnteza.
Esse domingo (07), segundo dia de buscas pela vítima, se encerrou às 17h. Segundo os bombeiros, as chances de encontrá-la com vida são mínimas.
Fiéis da igreja Poço de Água Viva, de Ceilândia, contam que os batismos eram feitos no local sempre no primeiro sábado de cada mês. “Hoje (ontem) mesmo, outras pessoas estavam aqui para outro batismo”, disse uma moradora da região. No início da Barragem, assim que chegam, os visitantes são alertados por placas sobre o perigo das correntezas: “Área com risco de afogamento”. Mesmo assim, é comum ver pessoas nadando no local.
Tragédia
“Meu irmão era um servo do Senhor. Ele estava acostumado a fazer batismos aqui. Só podemos crer que foi um chamado de Deus. Porque ele sabia o que estava fazendo”, disse o irmão da vítima, pastor Edivaldo. Muito abalado, ele era consolado por amigos da família. “Jesus volta a qualquer momento. E ele fazia essa obra de Deus com amor”, afirmou.
Chama a atenção o fato de que os bombeiros afirmam não serem avisados sobre os rituais no local. “Não fazíamos ideia de que esse tipo de coisa era feita aqui. Normalmente, isso é feito em piscinas e não em locais como esse, que, claramente, não é seguro”, salientou a corporação. O controle na área, contudo, não existe. Enquanto as equipes faziam as buscas, vários visitantes entravam e saíam da água.
Segundo familiares, a intenção do pastor ao entrar no rio era saber se o local estava apropriado para o ritual, pois muitos fiéis, além dele, não sabem nadar. “Meu marido era uma pessoa boa, que gostava de ajudar a todos. Ninguém vai poder dizer que ele não tinha boas intenções”, desabafou a mulher de Almir, Claudia das Mercês.