O cabo do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), Antônio Glauber Evaristo Melo, de 42 anos, está sendo julgado esta manhã (15). O bombeiro foi preso pela morte da ex-namorada, a professora de inglês Josiene Azevedo Carvalho, 35.
A sessão foi iniciada por volta das 9h35, no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Entorno (TJDFT). Cerca de 70 pessoas compareceram ao julgamento. O juiz selecionado foi Fábio Francisco Esteves. O advogado de defesa é Noberto Soares Neto. O promotor selecionado pelo Ministério Público do Distrito Federal é José Pimentel Neto, que receberá auxilio do advogado da família da vítima, Marcelo Barbosa Coelho.
Antônio chegou ao tribunal vestindo um colete a prova de balas. Ele teria recebido ameaças de morte. A família da vítima protestou em frente ao tribunal, mas quando a sessão foi iniciada, manteve respeito por determinação do juiz.
O corpo do júri é constituído por sete pessoas. Apenas uma mulher foi selecionada para participar. Cinco testemunhas comuns serão ouvidas. Uma delas já prestou depoimento. Antônio selecionou Simone Raquel dos Santos para falar em defesa dele. A família escolheu Júlio César da Silva como testemunha.
A primeira testemunha declarou que o relacionamento do bombeiro e da professora era instável, marcado por términos e voltas.
Duas amigas de Josiene também foram testemunhas. Elas disseram que a vítima se sentia perseguida pelo bombeiro. Sempre que os dois rompiam, ele ameaçava se matar. Dois dias antes do crime, Antônio teria enviado um e-mail com uma foto em que ele apontava uma arma para a própria cabeça e segurava uma foto dos dois filhos da professora.
A mãe da vítima, Maria Marlene Azevedo, deu um depoimento curto falando que os netos de 9 e 5 anos, filhos de Josiene, perguntam constantemente pela mãe. Os meninos moram com o pai e a madrasta e estão em tratamento psicológico.
Josiene morreu no dia 26 de junho de 2008. Ela e o ex-namorado saíram para jantar em um restaurante na quadra 215 da Asa Sul. Antônio buscou a professora na Octogonal 7 por volta das 19h30. Jantaram e retornaram para a casa de Josiene. Antônio estacionou o Golf que dirigia em frente ao bloco dela. Então insistiu para que reatassem o relacionamento.
A moça não aceitou a proposta do bombeiro. Ele retirou um revólver debaixo do banco e deu um tiro na cabeça de Josiene, que morreu na mesma hora. Relatos da família contam que Antônio ameaçava a namorada. Ela já queria terminar o relacionamento desde 2006. Amigos também afirmam que o bombeiro sempre andava armado.
Após cometer o crime, Antônio seguiu até a até a 3ª Delegacia de Polícia (DP) e se entregou. “Oi, essa é a minha namorada. Eu acabei de matá-la. Vocês podem fazer o que quiser comigo.”, disse Antônio ao confessar o crime.
O Comitê Nacional de Vítimas da Violência (Convive) pediu a exoneração do bombeiro. Ex-alunos da professora e familiares participaram do protesto Justiça por Josiene. O advogado Marcelo Barbosa Coelho informou que o CBMDF exonerou Antônio na tarde de segunda-feira (14).
A previsão é de que o julgamento termine hoje a noite. Antônio Melo é acusado de homicídio. Marcelo acredita que o réu receberá pena de vinte anos, já que ele confessou o crime.