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Brasília

Bomba-relógio em pleno coração da capital federal

Arquivo Geral

21/02/2013 9h10

Isa Stacciarini e Daniel Cardozo
redacao@jornaldebrasilia.com.br

 

O principio de incêndio no Ministério das Comunicações, três meses depois do acidente fatal no Ministério dos Esportes, acende um sinal de alerta em relação à confiabilidade das subestações elétricas no subsolo dos edifícios da Esplanada. Os equipamentos responsáveis pela geração de energia, instalados há cinco décadas,   apresentam problemas devido ao tempo de uso. A possibilidade de novos acidentes  coloca em risco os trabalhadores destes edifícios.

 

Diferentemente do que aconteceria se os equipamentos estivessem em uma área externa, a explosão que ocorreu na subestação subterrânea fez com que a fumaça se alastrasse para o fosso do elevador, e inclusive para o sistema de ventilação. Para evitar acidentes e facilitar o acesso da equipe técnica, a CEB afirma que as subestações deveriam ficar em área externa.

 

O diretor de operações da CEB, Manoel Clementino, conta que desde 2010 tem mantido contato com a Secretaria de Habitação  (Sedhab) para conseguir concessão de uma área externa para a transferência das subestações. No entanto, segundo Clementino, o processo está parado em razão do tombamento da área.

 

“Enquanto isso, estamos modernizando e trocando os equipamentos que apresentam problemas nas vistorias, mas a solução definitiva seria a substituição para uma tecnologia moderna”, explica.

 

O diretor ressalta que os acontecimentos recentes reiteram essa necessidade: “Depois dos últimos incidentes, acreditamos em um desfecho favorável para a viabilização da área externa”, acredita.

 

Clementino garante que apesar do último incêndio, as subestações são vistoriadas. Segundo ele, os equipamentos do Ministério das Comunicações passaram por uma manutenção em dezembro. Mas ele não descarta o risco e a possibilidade de novos incidentes. Diz, inclusive, que esse tipo de instalação está fora dos padrões de segurança.

 

Uma explosão matou um eletricista da CEB e deixou outro gravemente ferido no Ministério dos Esportes. O incidente aconteceu no dia 15 de novembro de 2012, quando a equipe fazia manutenção no gerador de energia no subsolo do edifício.

 

Na época, a Defesa Civil constatou que o sistema de combate a incêndios não liberou gás carbônico no local, o que deveria ter sido feito para evitar uma tragédia.

 

Após o ocorrido, o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil vistoriaram todos os 17 prédios da Esplanada dos Ministérios, verificando as condições dos equipamentos de segurança. Os resultados oficiais da vistoria ainda não foram divulgados por conta da demora na aquisição de alguns equipamentos.

 

A Secretaria de Habitação (Sedhab) alega que está sendo feita uma série de demandas para locação das subestações elétricas. No momento, o órgão trabalha na identificação das áreas onde as estações podem ser instaladas. 

 

“Está sendo feito um trabalho em conjunto com a CEB para a possibilidade de locações das subestações em área pública, mas em subsolo, uma vez que equipamentos com essas características devem estar muito bem protegidos e fora do alcance de pedestres”, destaca o subsecretário de Planejamento Urbano, Rômulo Andrade.

 

Segundo ele, o processo está sendo estudado de forma técnica  tanto em relação ao projeto urbanístico da cidade quanto no âmbito da geração de energia elétrica.

 

O administrador de Brasília, Messias de Souza, aponta que a mudança depende de uma apreciação técnica.  Ele ressalta que a proposta deve ser submetida ao Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).  “A alteração só ocorrerá se for estritamente necessária, senão a opção é procurar tecnologias   seguras”, ressalta.

 

Messias destaca que o impedimento não está na concessão de uma área externa, mas é preciso verificar as adequações para o procedimento.  Segundo ele, o sistema de subestações é antigo e há necessidade de uma inovação. O Iphan informou que não tem posição preliminar sobre o assunto.

 

Outro problema dos prédios da Esplanada gira em torno da falta de documentação. Do total de 17 prédios, quatro não têm o Habite-se: o prédio A, do Ministério do Esporte; o K, onde funciona o Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão; o Q, do Ministério da Defesa; o U, que abriga o Ministério de Minas e Energia; além do Supremo Tribunal Federal (STF) e inclusive a Catedral Metropolitana de Brasília.

 

Segundo o administrador de Brasília, Messias de Souza, na época em que os edifícios foram inaugurados, não era obrigatória a exigência do documento. Segundo ele, está havendo um estímulo para que as gestões dos prédios façam as adaptações necessárias e adquiram a licença. “Mesmo assim, não há nenhum risco iminente desses edifícios em razão da falta do Habite-se, uma vez que há vistorias”, garante o administrador.

 

Representantes do Ministério das Comunicações se reuniram com funcionários da CEB para solicitar um ressarcimento dos prejuízos em razão do principio de incêndio que afetou a fiação do órgão federal.

 

Solução das falhas

De acordo com o subsecretário de Planejamento, Orçamento e Administração do ministério, Ulysses Melo, o objetivo do encontro era demonstrar os danos causados pela subestação da companhia e discutir um plano de operação para a solução das falhas.

 

“Precisamos de uma substituição do material, além de saber em quanto tempo demorará para que a energia seja restabelecida, uma vez que o ministério funcionou por meio de geradores externos”, explica.

 

Ontem, equipes da CEB já faziam a construção do que havia sido destruído. O diretor de Operações da autarquia, Manoel Clementino, estima um prejuízo na subestação e nos fios equivalente a R$ 300 mil. “A nossa preocupação é corrigir o problema e restabelecer a energia até amanhã (hoje) pela manhã”.

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