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Brasília

Bom exemplo: E agora?, um livro feito por alunos

Arquivo Geral

19/02/2014 7h25

Rayane Fernandes 

Especial para o Jornal de Brasília

Um trabalho de incentivo à leitura está ganhando força na Escola Classe 42 de Taguatinga.  Por meio do projeto Revelando Leitores e Escritores, o livro E agora? foi produzido por alunos do 5º ano, entre 10 e 13 anos. O resultado do trabalho terá direito a lançamento no JK Shopping, em Taguatinga. 

No total, o livro conta com 13 histórias de suspense, produzidas por 27 alunos. Idealizado pela professora Elci Soares, o projeto surgiu em 2012, após ser diagnosticado problema de leitura e escrita dos alunos. “Para diminuir isso, senti a necessidade de fazer um livro, para a escrita ser real. Para que outras pessoas leiam o que os alunos escrevem e o trabalho não fique somente em sala de aula para a professora corrigir”, afirmou. “Com isso, eles sentiriam a necessidade de fazer um trabalho elaborado, porque as pessoas iriam ler”, completou. 

 Com o início do projeto, a melhora no desempenho escolar dos alunos foi significativa, segundo a diretora da escola, Fabíola Elias. “Com o projeto, diminuímos muito a evasão escolar e o número de reprovação. Além disso, os pais começaram a acompanhar mais os filhos”, disse.  

Como funciona

Os alunos, que antes não liam uma página, começaram a ler vários livros por dia. “Eles faziam propaganda dos livros na escola. Começaram a ficar críticos”, diz a professora. “Mas, para esse trabalho dar certo, eu lia todos os dias para eles em sala de aula. Passei a trabalhar os livros de uma forma agradável”, observou. 

O trabalho de produção do livro começou no início do ano passado. “Depois de preparados, os alunos perderam o medo da escrita e começamos a materializar a obra”, disse. Para isso, muita pesquisa teve que ser feita. 

Para dar início à produção do material, os alunos começaram a escrever textos de suspense em dupla. Durante todo o ano, a professora também trabalhou com um processo de revisão de textos. 

Aprovação é geral

Ao incentivar a leitura, a escola reservou um tempo depois do intervalo para que os alunos pudessem ler livros, além  de elaborar um caderno com a opinião deles sobre o   que leram. Para este ano, a escola pretende lançar outro livro. “Vamos priorizar os alunos que têm mais dificuldade de aprendizado”, disse a professora Elci.

 Para os alunos que fizeram parte do projeto, o incentivo foi fundamental. “Eu nem gostava de ler. Antes só pegava os livros mais finos, colocava na mochila e nem lia. Com o incentivo dela, eu comecei a gostar”, disse o aluno Raysson Souza. A mãe dele, Leidelane Lima, confirma o sucesso do projeto. “Ele começou a escrever mais e todo dia chegava com livro em casa, me contava as histórias”, disse. “Agora ele sempre pede para eu comprar livro”, finalizou.

Ponto de Vista

 O superintendente do JK Shopping, Sidney Pereira, explica que o shopping sempre buscou esta interação com a comunidade. E a escola foi a primeira porta para esta relação. “Trabalhamos com a política da cordialidade com nossos vizinhos. E lá estão seus filhos. Queremos que os moradores da região sintam que este espaço é todo deles. E além das crianças, estamos abertos a quem desejar expor seu trabalho, criando assim uma identificação com a cultura local”, explica. 

Problemas enfrentados

O projeto, porém, é mantido com muito sacrifício pela escola. Sem estrutura física ou apoio financeiro, a direção busca patrocínio para fazer com que o projeto se expanda. “Nosso acervo está pequeno. Precisamos de mais livros”, disse. “Pretendemos montar uma sala específica para a leitura”, diz a diretora Fabíola Elias.  “Se a gente tivesse mais livros, poderíamos continuar atendendo as necessidades dos ex-alunos e manter o vínculo”, completa a diretora. 

 Para produzir o último livro, a escola contou com o patrocínio de uma gráfica. “Precisamos de patrocínio como esse, para que possamos incentivar esse trabalho”, frisou. 

Patrocínio

 Com tantas dificuldades, a escola busca patrocinadores. “Estamos buscando alunos de pedagogia, faculdades, gráficas, empresas, quem quiser ajudar, para que possamos expandir o projeto”, afirmou a diretora. “Se outras escolas quiserem saber como funciona o nosso trabalho, também estamos dispostos a mostrar e formar parcerias”, diz. 

 Segundo a diretora Fabíola Elias, a ideia de fazer o lançamento dentro do shopping é para que o projeto fique mais visado. “Queremos que as pessoas vejam a importância do trabalho e que precisamos de apoio”, disse. 

Serviço

O livro E Agora? será lançado no  próximo dia 25, no JK Shopping, a partir das 19h. O livro será vendido por R$ 5. 

Para saber mais sobre o projeto ou ajudá-lo:  3901-3737

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