Uma escola do Setor O, em Ceilândia, venceu barreiras para conquistar o primeiro lugar do Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos, promovido pelo Ministério da Educação (MEC), na categoria de escolas públicas. O Centro de Ensino Fundamental 12 (CEM 12) mobilizou os alunos do 9º ano para o projeto Mulheres Inspiradoras, que fez com que os estudantes repensassem sobre a figura da mulher no mundo.
O trabalho foi iniciado após a professora de Língua Portuguesa Gina Vieira Pontes constatar em rede social que alunas postavam fotos e compartilhavam conteúdo com conotação sexual, tendência que a escola buscou suprimir.
O projeto começou no ano passado com uma disciplina interdisciplinar, que buscava incentivar a leitura e a produção de texto dos estudantes, de 14 a 16 anos. O interesse dos alunos foi tanto que rapidamente 187 estavam participando.
No primeiro momento, a professora apresentou dez mulheres que mudaram o mundo. Depois, foi desenvolvido um trabalho que buscava mulheres inspiradoras na cidade. A ideia foi muito bem aceita por todos e posteriormente o trabalho foi inscrito no prêmio nacional.
Cerimônia
A surpresa veio no último dia 24 de novembro, quando alunos e professores compareceram à cerimônia do Ministério da Educação (MEC), na Esplanada dos Ministérios. O trabalho dos alunos do CEM 12 concorreu com 260 projetos de várias partes do Brasil. A escola ganhou prêmio de R$ 15 mil.
“Fomos pegos de surpresa, porque você só sabe que ganhou no dia da premiação. Essa vitória foi um reconhecimento do trabalho desenvolvido aqui na escola”, comemora a professora Gina Vieira Pontes.
Abordagem conquistou alunos
Os alunos se entusiasmaram com a vitória. Eles dizem que a educação no CEM 12 de Ceilândia é diferente porque os temas são abordados de uma maneira mais atual. “Foi uma inovação na escola. Nunca teve um projeto tão complexo e aprofundado como esse”, conta a estudante Júlia Medeiros, 14 anos. “Eu fiquei muito feliz, a turma vibrou muito. O MEC valorizou o nosso trabalho”, comemora.
Com essa iniciativa, eles puderam compreender que o respeito deve ser o mesmo para ambos os gêneros. “Todos somos intelectualmente iguais e devemos ser tratados iguais”, afirma o adolescente Victor Silva, 15 anos. “Teve um exercício em que cada aluno entrevistou mulheres da cidade. Fiquei surpreso com a minha vizinha. Ela cuidou do marido com Alzheimer (doença degenerativa) durante 23 anos”, complementa.
Combate ao preconceito
O diretor do CEM 12, Cristiano de Oliveira, diz que a escola desenvolveu esse projeto conscientizando os estudantes e combatendo preconceitos, como a mulher vista como objeto. Os alunos leram seis livros escritos por mulheres: O Diário de Anne Frank, Eu sou Malala, Quarto de Despejo – Diário de uma favelada, Só por hoje eu vou deixar o meu cabelo em paz, Não vou mais lavar os pratos e Espelhos, miradouros, dialéticas da percepção.
Segundo Oliveira, o prêmio será investido na biblioteca da instituição e na impressão do trabalho. “Em Ceilândia tem muitos trabalhos bons. Quando o professor quer uma coisa, é possível viabilizar, independentemente dos fatores externos”, conclui o diretor.
A professora de Língua Portuguesa Vitória Régia Pires acredita que este trabalho foi um avanço para a escola. “A premiação confirma que estamos no caminho certo”, avalia a docente.
Laço branco
Ontem uma palestra simbolizou a conclusão do trabalho. Neste evento, os alunos aderiram à campanha do Laço Branco, em que homens pedem o fim da violência contra a mulher.
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