Menu
Brasília

Boia salva-vidas milionária

Arquivo Geral

25/07/2016 7h02

Atualizada 24/07/2016 21h04

No meio do redemoinho do escândalo do suposto esquema de propina dentro do GDF, o governador Rodrigo Rollemberg conseguiu um pouco de fôlego para falar sobre outro assunto com a base na Câmara: a venda do Parque Ezechias Heringer, no Guará, nas vizinhanças do Parkshopping. Rollemberg pediu prioridade máxima para a liberação da transação tão logo o Legislativo encerre oficialmente o recesso do meio ano. O negócio pode render R$ 400 milhões para o caixa do DF. A montanha financeira pode ser a boia salva-vidas em outubro para o prometido pagamento dos reajustes dos servidores.

Trocadilho

Deputado federal Ronaldo Fonseca (Pros-DF), no Twitter: “É só o que faltava: Propina na Saúde? Rollemberg vai ter que explicar direitinho, se não o governo dele vai para a UTI”.

Wasny na terra do Tio Sam

O deputado Wasny de Roure viajará para Chicago, nos Estados Unidos, por uma semana, no mês de agosto. Além de ficar afastado das funções, viajará por conta da Câmara Legislativa e terá, além das passagens pagas, o custeio de oito diárias de hotel nas terras americanas. Segundo ato publicado no Diário da Câmara Legislativa de sexta-feira passada, ele participará de uma conferência legislativa.

Marcelo não é servidor

Marcelo Radical, citado no depoimento do vice-governador Renato Santana à CPI da Saúde como sendo o operador da propina de 10% na Secretaria de Fazenda do DF, está processando o político por “danos morais”. Marcelo Pereira da Silva é empresário e teria sido identificado como servidor público, em relato de empresários ao vice-governador. Na época em que soube da denúncia, Renato disse que levou o nome ao governador Rodrigo Rollemberg, que teria tentado apurar a história, mas, como não localizou o suposto servidor, deixou pra lá.

Indenização de R$ 2 milhões

Na ação, Marcelo argumenta que Santana “relatou de maneira distorcida, equivocada e irresponsável” os fatos. “Na verdade, são ações judiciais movidas pelo autor perante à Vara de Fazenda Pública, com finalidade de receber pagamentos atrasados contra o Governo do DF”, diz no documento protocolado no Tribunal de Justiça do DF, no dia 19 de julho. Ele diz que nunca integrou o quadro de servidores do governo, “muito menos fez parte do quadro da Secretaria de Fazenda”. Pede indenização de R$ 2 milhões por danos morais, alegando que a repercussão da denúncia “causou danos irreparáveis” à dignidade do empresário.

Erros e espumas

A coluna errou na edição publicada na última sexta-feira na nota “Chopp”. A classificação do depoimento da sindicalista Marli Rodrigues como “espuma” e as defesas de Márcia Rollemberg e Marcello Nóbrega não foram feitas pelo administrador de Brasília, Marcos Pacco. Quem falou foi o próprio governador Rodrigo Rollemberg. E tem mais. Pacco não bebeu bebida alcoólica. Ficou no refrigerante. Falhas corrigidas.

Judiciário: onde Rollemberg é forte

O governador ainda está longe de definir uma postura sólida com o Legislativo. O governo ajoelha no milho com as derrotas e reviravoltas sofridas na Câmara. A população em geral faz diversas ressalvas e críticas sobre o GDF. A relação com o setor produtivo é menos fragilizada. Mas também está longe do ideal. As lideranças empresariais estão praticamente divididas nas avaliações do Executivo. Rollemberg só encontra trégua no Judiciário. O socialista não ganha todas as causas nas cortes, mas tem se saído muito bem na maioria delas.

Ações técnicas, resultados políticos

Na semana passada, o Tribunal de Justiça do DF acolheu o pedido da Casa Civil para que o bombástico depoimento da sindicalista Marli Rodrigues fosse feito de portas abertas na CPI da Saúde. A decisão foi técnica e com respaldo legal, todavia o resultado político para o GDF foi extremamente positivo. Ao invés de lidar com uma crise às cegas, o Executivo soube, viu e gravou a conduta de cada personagem no plenário. E o conhecimento é primeiro tijolo para a pavimentação de uma estratégia sólida.

Jogo jogado

Nem mesmo os opositores mais ferrenhos ao impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff guardam mais esperanças de uma reviravolta na queda da petista. Na avaliação de Toninho do PSOL, o presidente em exercício Michel Temer (PMDB) conseguiu sacramentar um acordo nacional “conservador” no Congresso. “Pouca gente é realmente contra esse golpe. O PSOL é. Mas o próprio PT está vacilante. Prova disso é que parte do partido apoiou a candidatura de Rodrigo Maia (DEM). Aquilo foi uma vergonha. E me perdoem a força das palavras, mas foi uma traição à Dilma”, ponderou Toninho.

Até o fim

O PSOL não está focado apenas nas desventuras da crise nacional. O partido também está acompanhando o escândalo da suposta propina dentro da gestão Rollemberg. “As acusações são graves. Na nossa opinião precisam ser investigadas até o fim. O Rodrigo tem que sair de cima do muro e dar as explicações para a sociedade. Até porque essas denúncias chegam em secretarias importantíssimas, como a Fazenda. Se de fato essa história alcançar o Rodrigo, que se faça o impeachment do governador. Se for abaixo dele, que se punam os responsáveis”, comentou. No começo de agosto o diretório regional do partido fará uma reunião para tratar de diversos temas. A denúncia deste suposto esquema no coração do GDF será um deles.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado