Michel Toronaga
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As aulas na rede pública de ensino já começaram e uma novidade está mexendo com a rotina dos estudantes. Trata-se do Projeto Biblioteca Aberta, que visa incentivar o hábito da leitura e ainda auxiliar na inclusão digital dos alunos. No ano passado, a turma do terceiro ano da Escola Classe 102, no Recanto das Emas, foi a primeira a testar a iniciativa.
“Vi resultado com alunos que não tinham noções de informática e no final já estavam usando o computador. Também fiquei feliz porque eles levavam o livro para casa e, com isso, passaram a ler mais”, conta a pedagoga Adriana de Oliveira, 35 anos, que comanda a turma.
Acesso fácil – A ideia principal do projeto é levar os livros para dentro de sala de aula. “Por isso, pensamos no modelo de uma estante aberta, que não tem cobertura e fica acessível para os alunos”, explica Williams Farias, 30 anos, desenvolvedor da iniciativa. Cada estante comporta até 300 livros, o que representa um número considerável para cada turma.
Além da parte física, a Biblioteca Aberta também conta com um lado virtual. Williams criou um sistema informatizado especialmente para a escola. “É uma rede social em formato colaborativo onde os próprios alunos controlam a entrada e saída dos livros. Eles registram os títulos e dão notas para os que foram lidos, além de ter um bate-papo”, explica.
Fase inicial – A primeira fase do projeto serviu como teste e revelou alguns problemas técnicos. “Eu aproveitei o UCA – Um Computador por Aluno – para implementar o sistema, mas a internet da escola caía toda hora”, lamenta Williams.
Para consertar isso, ele criou um sistema offline que deve estrear em 2012 e que pode ser acessado por tablets. “Agora queremos criar uma Organização Não Governamental (ONG) para pedir um patrocínio mais forte e, assim, conseguirmos esses tablets para os alunos”, conta.
Enquanto o plano de levar a iniciativa à plataforma móvel dos tablets não se concretiza, Williams Farias, desenvolvedor do projeto, comemora o sucesso da Biblioteca Aberta. “Este ano vamos implementar na escola inteira. Houve um pedido de 60 professores interessados, o que significa 1.500 alunos que poderão ser atendidos”, conta.
Williams conta que recebeu ligações de diretores de colégios de Brazlândia, Taguatinga, Estrutural, Guará e Ceilândia, todos querendo criar atividades no dia a dia e falar da importância dos livros.
Ainda falta, contudo, novas estantes. Por isso, Williams criou a Campanha 2012 Nota 10, que pode ser acessada pelo site www.abiblioteca.com/2012nota10. O desenvolvedor conta com a ajuda da população para conseguir verba para a criação de novas estantes, além de receber títulos para formar as bibliotecas. “O projeto só funciona se a sociedade participar e contribuir. Não podemos apenas esperar por ações do governo”, avalia.
Como uma luva – De acordo com a professora Adriana de Oliveira, a ideia caiu com uma luva porque sua escola até então não contava com uma biblioteca. “Ela foi desativada e o que temos é uma saleta. A maioria das escolas públicas não possuem bibliotecas de fato, tendo apenas salas de leitura.
Elas não têm bibliotecários, e sim professores realocados. É um depósito de livros”, define. A esperança é que, com a ajuda dos brasilienses, essa realidade possa mudar e influenciar o futuro de inúmeros estudantes por meio da literatura.
Serviço – Atualmente, a única Biblioteca Aberta possui 190 livros, a maioria deles doados por uma editora parceira do projeto. Interessados em realizar doações, professores que queiram implementar o projeto ou patrocinadores podem acessar o site www.abiblioteca.com para mais informações. Também é possível entrar em contato com o Projeto Biblioteca Aberta por meio do telefone 3021-5350.