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Brasília

Bastam alguns cliques para conseguir uma carteira de habilitação

Arquivo Geral

28/03/2013 9h30

O processo para a aquisição da Carteira de Habilitação requer paciência. Afinal, diante da responsabilidade que a obtenção do documento traz, há exames médicos, aulas teóricas e práticas, além das temidas provas. Contudo, muitas pessoas optam por pular essas fases e recorrem a uma prática ilegal: a compra  da CNH. A aquisição pode ocorrer da maneira mais rápida possível, pela internet, sem sair de casa. A negociação é repleta de mecanismos obscuros. O Jornal de Brasília mergulhou no universo criminoso da compra e venda de habilitações e mostra os detalhes.

 

Na internet, a oferta é variada e conta com opções para todas as necessidades. A audácia é marca registrada dos criminosos. Nos anúncios, o discurso é firme, direto e repleto de garantias. “Para você que precisa de CNH rápida e de um jeito prático e seguro sem burocracia, sem aulas do Detran; você que não tem tempo, fez todo o processo e não obteve o resultado esperado e não está disposto a fazer novamente. Eu consigo resolver seu problema”, diz um deles. 

 

Passo a passo

No primeiro contato, por e-mail, um dos elementos detalha como funciona o esquema: “Sou de Brasilia, retiro a CNH com prontuário daqui e transfiro para a sua cidade em seguida, sem problemas. Para fazer isso, preciso do seu comprovante de endereço. Você scaneia juntamente com o restante dos dados e me envia”, afirma. 

 

Ele também explica o pagamento: “Varia da seguinte forma: A, R$ 900; B, R$ 1,2 mil; AB R$ 1,7 mil; e categoria E fica R$ 2,4 mil. Todos os seus dados irão constar no “Banco de Dados do Detran (Binco)”, afirma.

 

Segundo ele, é possível burlar todo o sistema  do Detran. “Não preciso das suas digitais, pois meus contatos conseguem burlar o sistema. Irá constar que você compareceu em todas as aulas/exames. Ao ser parado em blitz, pode apresentá-la sem problemas. A CNH é original”, diz.

 

Negociações avançam por telefone

Após algumas mensagens trocadas, alguns elementos parecem desafiar o risco de serem capturados e topam passar a estreitar o contato e continuar a negociação por telefone. “Estou  disponível  no seguinte  celular… Me  liga  que  conversamos  melhor”, diz um deles. No entanto, outros são mais precavidos. “O contato só pode ser via e-mail mesmo. É mais seguro por se tratar de um negócio ilegal”, afirma ouro, admitindo a irregularidade.

 

Garantias

Alguns falsários garantem que a única garantia que pode ser dada é a própria palavra. Porém, outros demonstram segurança e passam garantias expressivas. É o caso de A.S., que deu o passo a passo de como achar o andamento do processo de seus supostos clientes, no próprio site do Detran, do estado do Paraná. “Entre no site do Detran-PR. Vá em Habilitação> Serviços > Situação de emissão da CNH e veja esses processos de pessoas que fizeram a carteira comigo”, assegura o suspeito.  

 

Alguns exigem 50% do pagamento antes da entrega do documento. Já outros são irredutíveis na forma de negociar e exigem pagamento à vista. “O pagamento só pode ser realizado à vista”, declara A.S.

 

Exigências favorecem clonagem

Para a aquisição da CNH pela internet, os elementos pedem uma série de documentos e uma assinatura em papel branco. Com isso, têm em mãos ferramentas suficientes para cloná-los e cometer mais crimes. “Preciso de alguns dados para a confecção da CNH: cópia do RG e CPF (frente e verso), cópia de uma  foto 3×4 (colorida), assinatura em uma folha branca e comprovante de residência”, diz.

 

Ele ainda usa do poder emocional para garantir o negócio. “De maneira alguma estou aqui para prejudicar alguém. Tenho uma esposa e duas filhas, faço isso mais pensando no melhor pra elas”, conta.

 

Se no processo de habilitação convencional as etapas costumam durar em média três meses, eles prometem tempo recorde. “Boa tarde, dando entrada no processo ainda hoje, você estará recebendo a sua CNH em nove dias”, promete um vendedor. 

 

Paraná

Diante das denúncias que remetem ao Detran do Paraná, Vinicius Borges, delegado-adjunto da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas (DEDC) de Curitiba (PR), afirma que o órgão irá investigar o caso. “A partir de agora, vamos verificar esses casos. Muitas vezes, o criminoso pode afirmar ser de determinado local e não ser. Tudo é possível”, afirma.

 

Segundo o delegado, o vendedor da CNH está cometendo  estelionato e com certeza o documento é falso. “Com certeza,  não será enviado um documento verdadeiro. São muitos órgãos envolvidos no processo   e não tem como burlar todo o esquema de segurança”, diz.

 

Leia a matéria completa na edição de hoje do Jornal de Brasília.

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