Manuela Rolim
Especial para o Jornal de Brasília
Uma vila abandonada a apenas 23 quilômetros do centro de Brasília. É assim que os moradores da Vila Basevi, em Sobradinho, se sentem. O lugar é um concentrado de problemas antigos. Entre eles, falta de pavimentação, ruas esburacadas, lixo espalhado e mato alto. O policiamento precário também é uma reclamação.
O vilarejo é pequeno. Tem cinco ruas e apenas a principal é asfaltada. Nas outras, a ausência de pavimentação deu lugar a muitas crateras, erosões e poeira. Já nos dias de chuva, é a lama que toma conta do local. Diante dessa realidade, os moradores ainda questionam a construção de uma ciclovia de quase 10 km que passa em frente à vila. “Entendemos a necessidade de uma ciclovia para Sobradinho, mas e as nossas necessidades?”, indaga o motorista de aplicativo Robson Carvalho Silva, 38 anos.
Morador da Vila Basevi desde 2003, Robson afirma que praticamente nada foi feito nesse período. “Durante esses anos todos, eu cheguei a sair duas vezes para morar em outras cidades e, quando voltei, encontrei a vila do mesmo jeito. A única obra feita foi a pavimentação da avenida principal. O que mudou nesse tempo foi a violência, que aumentou. Aqui, é difícil ver uma viatura da PM circulando”, completa o motorista.
Para ele, a situação reflete o descaso do governo passado com a população. “As pessoas que dependem do transporte público chegam sujas nas paradas de ônibus. Já quem tem condições de ter carro, apesar da comodidade, é obrigado a lavar o veículo com frequência. No meu caso, todos os dias, porque dependo que meu carro esteja limpo para trabalhar”, acrescenta o motorista.
Calçamento é o mínimo
O comércio também é afetado pela falta de infraestrutura na vila. Washington Paulo de Jesus, 69, é dono de um mercado na região desde 2004. Ele conta que a preocupação é manter a clientela. “A Vila Basevi não é um local de passagem, não é igual aos comércios dos centros das cidades. Aqui, o cliente vem porque mora ou trabalha na vila. Portanto, se eu perdê-lo vou ficar no prejuízo grande, não tenho como ganhar novos clientes”, afirma o empresário.
Ele destaca ainda a urgência de saneamento básico e do calçamento das ruas. “A melhor solução é optar pelos bloquetes e, antes disso, fazer a rede de esgoto. São problemas que dependem de uma vontade política para serem resolvidos”, lembra Washington.

Moradores questionam inversão de prioridades com construção de ciclovia enquanto existem problemas mais urgentes. Foto: Vítor Mendonça.
Acessibilidade
As ruas esburacadas atrapalham os idosos. Aos 80 anos, a dona Salvina Maria Marques tem muita dificuldade para caminhar pela ruas da vila. “Minha filha mora aqui. Toda vez que venho visitá-la é um transtorno. Eu ando com muito cuidado, rezando para não cair no buraco. Mesmo assim, já escorreguei algumas vezes”, desabafa.
Dona Salvina ressalta também os transtornos enfrentados pela filha. “Para chegar em casa ela tem que dar uma volta enorme. Além disso, o muro da casa dela está todo sujo de lama”, lamenta.
Os moradores não sabem sequer a quem recorrer. O líder comunitário Eliodo Nunes lembra que a Vila Basevi pertencia à Administração Regional de Sobradinho 2. “Mas liguei para o administrador e ele mesmo confirmou que a vila não integra mais a região de Sobradinho 2. Para resolver o problema da vila é preciso fazer um mutirão, mas a verdade é que estamos largados”, conclui.
Versão Oficial
A respeito da infraestrutura, a reportagem não obteve resposta da Administração Regional de Sobradinho II. Procurada sobre a questão da segurança, a Polícia Militar informou que policiamento é realizado de forma constante, principalmente pelas equipes do 13º Batalhão, que, em 2018, detiveram 877 autores ou suspeitos de crimes e apreenderam 103 armas na região de Sobradinho. O patrulhamento é distribuído de acordo com estudos de análise criminal. Por isso, é muito importante que os moradores façam o registro de ocorrências nas delegacias.