Taguatinga perdeu um de seus personagens caricatos e icônicos. Primo, como era mais conhecido o antigo dono de bares da Praça do DI, Onmar Ali morreu aos 65 anos. A morte aconteceu na tarde do último sábado e o enterro se deu na manhã de ontem. Ele deixa esposa e muitos amigos.
O gerente do Bar Biroska, José Araújo, revela ter sabido do falecimento por intermédio de um cliente que comentou o assunto no início da manhã. “Ele já estava internado há uns 20 dias em um hospital particular da cidade. Teve complicações no pulmão”, contou o homem, conhecido de Primo, mas sem conversar com ele há mais de seis meses. “É vida que segue, né?!”, conformou-se o comerciante.
A esposa do falecido, Dona Graça, não foi localizada pela reportagem do JBr., mas amigos da viúva disseram que ela estava muito abalada e provavelmente havia tomado remédios para conseguir dormir durante a tarde de ontem. Eles eram casados há mais de 35 anos.
A notícia da morte foi motivo de tristeza também para Marcelo Bacelar, corretor de imóveis de 54 anos. Ele conhecia Primo há mais de 30 anos e o definiu como “comerciante nato, um homem tranquilo e negociador”. “Ele gostava muito de ir à pamonharia, tomar um cafezinho, às vezes uma pinguinha, e fumar”, revela Marcelo.
Esse hábito, inclusive, foi a causa de sua partida. O amigo relata que Primo chegava a fumar quatro maços de cigarro por dia e teria sido internado justamente por complicações no pulmão decorrentes desse vício.
Sotaque característico
Onmar Ali era um imigrante vindo do Líbano e falava português de modo próprio, com sotaque bastante carregado. Segundo Marcelo, sua fala arrastada era reconhecível em qualquer lugar. “Ele passava perto da mesa de dominó que eu e uns amigos temos de manhã. Não jogava, só dava pitacos e depois ia embora”, recorda-se.
Agora, Primo, ou senhor Onmar Ali, ficará apenas na lembrança dos moradores da praça do DI, onde o edifício que morava foi batizado com seu nome.