Carla Rodrigues
Especial para o Jornal de Brasília

Após 12 anos de espera, os taxistas do Distrito Federal finalmente tiveram o tão sonhado reajuste no preço das tarifas. E ele veio com juros. Na tentativa de recuperar o tempo perdido, o governador Agnelo Queiroz assinou decreto que aumenta em 23,5% o valor da bandeirada. A categoria queria 24%. A medida entra em vigor após publicação no Diário Oficial da União. Parte da população ficou assustada com o acréscimo. Quem utiliza o serviço diariamente acredita que a medida deve mudar a rotina .
“O reajuste vai ter um impacto muito grande no meu dia a dia, porque dependo totalmente de táxi para ir a determinados locais. Eles fazem parte do meu cotidiano”, contou a publicitária Camilly Almeida. Após o reajuste, uma corrida do aeroporto à Asa Sul, que antes custava em média R$ 25, deve ir para cerca de R$ 32. Uma corrida comum, no mesmo percurso, utilizando bandeira 1, passa de R$ 20 para R$ 26.
O Sindicato dos Permissionários de Táxis e Motoristas do DF (Sinpetaxi) explicou ainda que a bandeirada passa de R$ 3,30 para R$ 4,08.
Uma das mais caras
A medida torna a taxa a sétima mais cara entre as capitais do País, inclusive Rio de Janeiro (R$ 4,40) e São Paulo (R$ 4,10). “Desde 2009 que o nosso quilômetro rodado não sobe. A gasolina e o álcool subiram. O seguro total, que a gente pagava R$ 800, hoje está R$ 1.500. Nós também temos muitas despesas”, disse a presidente da entidade, Maria do Bonfim.
“Agora, realmente vai parecer pesado para o consumidor. O governo poderia ter dado um aumento gradual. Entretanto, nossa reivindicação é justa e antiga”, salientou o taxista Alexandre Lopes. Para ele, o reajuste ainda não é suficiente para cobrir a defasagem dos 12 anos. “Não supre nossa perda neste período, mas temos que nos conformar”, disse.
Bernardino Vaz, 76 anos, também taxista, contou que trabalha praticamente 24 horas por dia para manter uma diária bruta de R$ 200. Pai de cinco filhos, ele desabafou: “Estávamos sofrendo com as condições de trabalho. Agora, devemos ficar mais tranquilos”, disse.
Uns aprovam… outros, nem tanto
Como viajam muito, Leonardo Leal, 34 anos, e a amiga Zilca Teixeira, 34, ambos funcionários da CNI, dependem do serviço em Brasília. “O governo podia aumentar também o meu salário. É totalmente fora da realidade isso”, disse ele revoltado. Capixaba, afirmou que paga metade no Espírito Santo pelo mesmo percurso que faz na capital, com valor de R$ 70. “É muito mais caro aqui”, salientou.
Por outro lado, o aposentado Orlando Costa, 60, considera o serviço bom e satisfatório. De acordo com ele, em São Paulo não se consegue pagar menos de R$ 8 em 500 metros de corrida. “Não acho ruim. É uma reivindicação justa”. Mas, para aqueles que consideram o serviço ruim, a presidente do Sinpetaxi, Maria do Bonfim, lembrou do 156, número da Ouvidoria do GDF para reclamações.
Hoje, a frota de táxis do DF está em 3,4 mil. Número é considerado insuficiente para atender os usuários do serviço. Nas rádio táxis, o tempo de espera é de dez minutos em média. Nas ruas da capital, é raro ver taxistas rodando. Os pontos de táxis, ao contrário, quase sempre têm veículos parados. Maria do Bonfim, disse que estuda, junto ao GDF, aumentar a frota. Contudo, antes de a decisão ser tomada, será realizado um estudo prévio, confirmando ou não o deficit. “Vamos ouvir todos os setores para ver se realmente há esse problema”, completou a presidente.