Da Redação, com UnB Agência
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Há 16 anos, um raríssimo e complexo caso na Medicina impressionou e sensibilizou Frederico Salles, um experiente cirurgião-dentista especialista em intervenções maxilares e faciais: um caso de aglossia congênita isolada – ausência total da língua. A anomalia é tão incomum que a literatura médico-odontológica relatou somente três ocorrências em todo mundo. Graças a uma inédita intervenção cirúrgica e um acompanhamento que vêm sendo oferecido por uma equipe multidisciplinar da Universidade de Brasília (UnB), Auristela Viana da Silva – atualmente com 22 anos – hoje se alimenta bem, fala corretamente e leva uma vida normal, cursando, inclusive, Enfermagem na Faculdade de Ciência da Saúde do GDF.
Para discutir a abordagem metodológica adotada no Brasil e nos Estados Unidos para o tratamento, a UnB sediou, ontem, simpósio reunindo especialistas e as duas únicas pacientes vivas de que se têm notícia no mundo.
Diagnóstico
Foi em 1996 que Frederico Salles, à época responsável pelo setor de cirurgia bucomaxilar de um hospital, teve conhecimento do caso, ao receber a pequena Auristela, então com cinco anos. Após o diagnóstico, passou a pesquisar para alcançar uma solução que a curasse das sequelas provocadas pela ausência da língua e que lhe conferisse qualidade de vida.
Por não conseguir se alimentar direito, a menina se encontrava em um quadro de desnutrição, além de apresentar feridas ao redor da boca, por incontinência salivar, e ainda sofrer graves problemas de dicção.